Festival de Curitiba chega à reta final

Aproxima-se o fim da maratona teatral desta 12.ª edição do Festival de Teatro de Curitiba que começou no dia 20, termina no domingo e este ano espalha por palcos e ruas da cidade mais de 180 espetáculos, entre mostra oficial, com apenas 18, e mostra paralela, o Fringe. São cerca de 70 peças por dia sendo apresentadas nos mais diferentes - e muitas vezes improvisados - palcos da cidade. Na mostra oficial, ainda aguardam-se três estréias. Amanhã será a vez de Pessoas Invisíveis, espetáculo do Grupo Armazém baseado no quadrinista Will Eisner. No sábado, estréiam A Força do Hábito, de Thomas Bernhard, produção gaúcha dirigida por Luciano Alabarse, e Filosofia na Alcova, peça baseada na obra homônima do Marques de Sade, com a Cia. dos Satyros, encerrando assim a programação da mostra oficial.O Fringe, com mais da metade da programação já apresentada ou ocupando os palcos da cidade, começa a ganhar alguma configuração. Entre os destaques desta ampla mostra paralela, está O Homem Que Não Dava Seta, uma montagem dirigida por Chico Pelúcio, ator e diretor do Grupo Galpão. O espetáculo foi criado pelo que ele chama de método colaborativo - uma parceria entre o núcleo de dramaturgia, formado por cinco dramaturgos e coordenado por Luiz Alberto de Abreu e os participantes da 5.ª oficina de interpretação, oferecida pelo grupo para reciclagem ou formação de artistas do teatro.Curiosamente, o outro destaque do Fringe, Interior, espetáculo dirigido por Abílio Tavares que vem provocando enormes filas e emocionando a platéia em todas as sessões, também resultou do que o diretor chama de criação coletiva, um texto escrito a partir de depoimentos dos 13 jovens atores sobre suas vivências pessoais, finalizado pelo diretor.Na estréia do espetáculo de Pelúcio, Abílio e os 13 atores de Interior estavam na platéia. E ambos os diretores já combinaram um intercâmbio. Assim, os paulistanos poderão ver em breve O Homem Que não Dava Seta no Tusp, enquanto os atores de Interior passarão uma temporada em Belo Horizonte. Mais que beneficiar platéias, tal intercâmbio certamente será enriquecedor para os dois grupos.Há semelhanças e diferenças bastante marcantes entre os dois espetáculos. Embora ambos tratem de vivências muito próximos da público, experiências reconhecíveis em nosso cotidiano urbano e violento, O Homem Que não Dava Seta parte do cotidiano, alça vôo e atinge a tragédia, com uma construção dramatúrgica e cênica muito bem elaborada. Interior, propositalmente, está "colado" à forma como foi criado, um mosaico de situações cotidianas dramáticas, prosaicas ou felizes, interligadas por números musicais.A força de Interior, que tem arrancado lágrimas do público em todas as sessões, reside na sua verdade intrínseca, exatamente nessa forma como está "colado" a uma realidade compartilhada pela platéia, o que provoca forte empatia. A violência da metrópole, causada por miséria ou desemprego, como não poderia deixar de ser, está presente na peça. Porém, o espetáculo mostra especialmente o seu reflexo no pequeno-grande mundo das relações familiares. Como atua sobre uma criança a experiência de ver seu pai levantando uma faca contra a mãe? É a vivência real de um dos atores, teatralizada no palco.Leia mais.

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