Festival de Cinema Latino-Americano exibe 75 filmes

É no mínimo curioso que o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, cuja sétima edição começa nesta quinta-feira para convidados no Memorial da América Latina, se inicie sob o signo da estrada, e isso apenas dois antes da estreia de "On the Road", que Walter Salles adaptou do livro cult de Jack Kerouac. Salles fez um belo filme baseado na experiência real (e visceral) de jovens norte-americanos que caíram na estrada em busca de liberdade - e deles mesmos. Seu filme é a história de uma amizade, e da sua destruição (e também da imortalização pela arte). E "Um Mundo Secreto"?

AE, Agência Estado

11 Julho 2012 | 10h13

O longa do mexicano Gabriel Mariño teve sua estreia mundial na Berlinale, em fevereiro, integrando a mostra Generation Special. Narra, de forma lírica, a viagem de iniciação de uma garota. No último dia de escola, antes da graduação, ela deixa seu mundo para trás e parte numa viagem de autodescoberta. Maria, de 18 anos, é promíscua e, no fundo, talvez seja essencialmente uma solitária. Ela abandona o caos urbano da Cidade do México e atravessa o deserto de Sinaloa rumo ao vasto oceano. O que busca Maria? Na apresentação de seu filme, em Berlim, Mariño disse que quis traçar um retrato da juventude mexicana. "Há muita violência e instabilidade social no México. Nosso futuro é incerto e, para os jovens, é quase impossível estudar ou trabalhar. Meu filme busca entender quem são os jovens mexicanos, o que sentem e pensam."

Quem pensa em mulheres na estrada lembra-se de "Thelma e Louise", as protagonistas de um road movie de Ridley Scott que fez sensação, especialmente entre plateias femininas (e feministas), em 1991. A jornada de iniciação de Maria leva a uma conclusão tão espetacular quanto espiritual. O diretor filma a paisagem mais preocupado em revelar o turbilhão interior que consome Maria. Com o da protagonista, Lucía Uribe, guarde os nomes de Mariño e do fotógrafo - Ivan Hernández. Começando de forma tão auspiciosa, o 7.º Festival Latino-Americano, que vai até dia 19, vai exibir 75 filmes. Você talvez não consiga ver todos, mas vale entender a estrada iniciática de "Um Mundo Secreto" como uma metáfora - e um convite. É como se o próprio evento convidasse o público a viajar nas imagens dessas dezenas de filmes para compreender o mundo em que vive, e decifrar o enigma da complexidade continental.

Pense em culturas, em línguas. A maioria dos filmes é falada no idioma espanhol, com suas variações. São filmes como o uruguaio "3", de Pablo Stoll; o argentino "Um Mundo Misterioso", de Rodrigo Moreno; o chileno "O Círculo de Román", de Sebastián Brahm; o equatoriano "Pescador", de Sebastián Cordero; e o colombiano "Porfírio", de Alejandro Landes. Mas o Festival Latino também fala o português, por meio dos filmes brasileiros que integram a seleção - "Hoje", de Tata Amaral, que venceu o Festival de Brasília no ano passado; "Rânia", de Roberta Marques, que venceu a mostra Novos Rumos, no Festival do Rio de 2011; e "Augustas", que Francisco César Filho adaptou do livro "As Estratégias de Lilith", de Alex Antunes.

A venezuelana Marité Ugas vem para apresentar pessoalmente seu longa "O Garoto Que Mente", que também integrou a mostra Generation, em Berlim. O filme conta a jornada de iniciação de um garoto que procura pela mãe desaparecida nos deslizamentos de terras que atingiram o departamento de Vargas, após a grande chuva de 1999. Já exibido nos festivais de Tiradentes e do Recife, "Estradeiros", belo trabalho de Sérgio Oliveira e Renata Pinheiro, filma a América Nuestra de forma a mostrar a estrada como metáfora de vida alternativa e negação do consumismo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

7º FESTIVAL DE CINEMA LATINO-AMERICANO DE SÃO PAULO

Programação completa: www.memorial.org.br. De 12 a 19/7. Grátis.

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