Festival de Brasília aumenta número de concorrentes

Como Janos, o deus bifronte que mira os dois lados, o Festival de Brasília 2012 põe um olho no passado, como referência, e outro no que julga ser o futuro. No passado porque, em sua 45ª edição, este que é o mais antigo festival de cinema do País, cultua um dos seus fundadores, o crítico Paulo Emilio Salles Gomes, cuja obra e legado serão debatidos em seminário.

AE, Agência Estado

17 de setembro de 2012 | 10h13

Pensando no futuro, ou no suposto futuro, Brasília abre mão de suas melhores características - a concisão e a concentração - para ceder à contemporânea tendência ao excesso. Ao invés dos seus tradicionais seis longas-metragens em competição, coloca o dobro de concorrentes. Doze longas, divididos meio a meio entre documentário e ficção. E mais 18 curtas, partilhados em três blocos de seis - ficção, documentário e animação. Cada qual com premiação específica.

Para quem considera retrocesso esse passo rumo ao gigantismo, há pelo menos uma boa notícia para compensar. O critério de ineditismo dos longas, que havia sido abolido no ano passado, volta a vigorar. Isso quer dizer que os 12 longas em competição serão novidade para o público e para os jornalistas.

Nenhuma dessas mudanças é definitiva. Serão adotadas em caráter experimental, é o que diz Sérgio Fidalgo, coordenador geral do festival. "Tudo isso nos traz certa insegurança", admite. "Vamos ver como o público reage, pois será uma maratona". De fato, é mudança radical na estrutura. O público de Brasília, bastante participativo, havia se habituado à dieta enxuta de um longa e dois curtas a cada noite.

Agora, haverá o dobro. E o conforto do Cine Brasília será apenas uma grata recordação, uma vez que a sala está em reforma e o festival será todo no Teatro Nacional, lindo, de bela acústica, mas que não tem nas apertadíssimas poltronas sua melhor referência. As cadeiras do teatro nos fazem sentir saudades das dos aviões, na classe econômica, para você ter ideia. "Estaremos fora do nosso ninho, que é o Cine Brasília", lamenta Fidalgo.

Nesta segunda-feira o festival se inicia com um concerto da Sinfônica de Brasília, e a apresentação, fora de concurso, de "A Última Estação", de Márcio Curi. Na terça, começa para valer, com as mostras competitivas. A primeira sessão, com o curta "Câmara Escura" (PE), de Marcelo Pedroso, e o longa "Um Filme para Dirceu" (PR), de Ana Johan. Em seguida, mais dois curtas, "Linear", de Amir Admoni (SP) e "Canção Para Minha Irmã", de Pedro Severien (PE), antecedendo o longa "Eles Voltam", de Marcelo Lordello (PE). Será a primeira amostra de uma seleção que Fidalgo considera muito boa. "Vi os 30 filmes e fiquei entusiasmado", garante. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

CONCORRENTES

LONGAS-METRAGENS DE FICÇÃO

"A Memória que Me Contam", de Lucia Murat;

"Boa Sorte, Meu Amor", de Daniel Aragão;

"Eles Voltam", de Marcelo Lordello;

"Era Uma Vez Eu, Verônica", de Marcelo Gomes;

"Esse Amor que Nos Consome", de Allan Ribeiro;

"Noites de Reis", de Vinicius Reis;

LONGAS-METRAGENS DOCUMENTÁRIO

"Doméstica", de Gabriel Mascaro;

"Elena", de Petra Costa;

"Kátia", de Karla Holanda;

"Olho Nu", de Joel Pizzini;

"Otto", de Cao Guimarães;

"Um Filme Para Dirceu", de Ana Johann;

CURTAS-METRAGENS DE FICÇÃO

"A Mão que Afaga", de Gabriela Amaral Almeida;

"Canção para Minha Irmã", de Pedro Severien;

"Eu Nunca Deveria Ter Voltado", de Eduardo Morotó, Marcelo Martins Santiago e Renan Brandão;

"Menino Peixe", de Eva Randolph;

"Vereda", de Diego Florentino;

"Vestido de Laerte", de Claudia Priscilla e Pedro Marques;

CURTAS-METRAGENS DOCUMENTÁRIO

"A Cidade", de Liliana Sulzbach;

"A Ditadura da Especulação", de Zé furtado;

"A Guerra dos Gibis", de Thiago Brandimarte Mendonça e Rafael Terpins;

"A Onda Traz, o Vento Leva", de Gabriel Mascaro;

"Câmara Escura", de Marcelo Pedroso;

"Empurrando o Dia", de Felipe Chimicatti, Pedro Carvalho e Rafael Bottaro;

CURTAS-METRAGENS DE ANIMAÇÃO

"Destimação", de Ricardo de Podestà;

"Linear", de Amir Admoni;

"Mais Valia", de Marco Túlio Ramos Vieira;

"O Gigante", de Luís da Matta Almeida;

"Phantasma", de Alessandro Corrêa;

"Valquíria", de Luiz Henrique Marques.

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