Festival de Bonecos reúne 30 mil pessoas em BH

A história de um garoto que perde a visão com apenas 3 e aprende a perceber o mundo através dos sons e do contato direto com as mãos até, incansavelmente, criar um método em alto relevo que o permita ler, conquistou a predileção do público e do corpo de jurados da 5.ª edição do Festival Internacional de Bonecos de Belo Horizonte, encerrado na noite de quarta-feira. Louis, El Niño de la Noche, a narrativa sobre Louis Braile - o criador do método de leitura para deficientes visuais, consagrado em todo mundo e que leva seu nome - criada pela Companhia Âmbulo, de Israel, foi escolhido o melhor espetáculo internacional da mostra mineira, que este ano esteve mais enxuta, mas não menos atraente. O texto escrito pela atriz, narradora e manipuladora de bonecos Patricia O´Donovan foi baseado em biografias de Braile e apresentado em espanhol nos dois últimos dias do evento. Outros seis grupos estrangeiros da Espanha, França, Itália, Holanda, Polônia e República Checa participaram do festival, que durante sete dias contabilizou um público de aproximadamente 30 mil pessoas. Os jurados - sete pessoas, entre jornalistas e bonequeiros - e o público, que votou pela internet, escolheram o espetáculo O Princípio do Espanto, da companhia paulista Morpheus Teatro, como o melhor nacional, entre os cinco grupos brasileiros. No evento deste ano não faltaram adaptações de clássicos da literatura brasileira e mundial, que levaram para o teatro de animação autores como Miguel de Cervantes e Guimarães Rosa. A companhia mineira Catibrum, da qual Lelo é diretor, apresentou O Cavaleiro da Triste Figura, segundo ele, uma ´mistura´ do livro Dom Quixote e sua adaptação musical feita nos anos 1960 pelo norte-americano Dale Wassermann para a Broadway. O mineiro Carlos Lagoeiro, que há 17 anos mora na Holanda, onde fundou o grupo Muganga, se inspirou no conto A Terceira Margem do Rio - um dos mais famosos do escritor de Cordisburgo - para apresentar Derde Oever (a terceira margem, em holandês). No ano passado, Lagoeiro passou cerca de um mês em Buenópolis, sua cidade natal, no norte de Minas, e depois alugou um barco para navegar durante 15 dias pelo Rio São Francisco. Foi lá que conheceu um canoeiro que produziu as cem canoas que usa no espetáculo, no qual ele responde sozinho pela manipulação de 17 bonecos. "Em meio a toda essa minha experiência interna, produzi um diálogo poético a partir do conto de Guimarães Rosa", observa.

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