Festival de bonecos destaca grupos orientais

Estranhas e divertidas passeatastomarão conta de duas avenidas importantes de Belo Horizonte apartir das 14h desta quinta-feira. O frevo domina a primeiradelas, enquanto a segunda seguirá ao som de marchas de Carnaval.Em ambas, os foliões são bonecos gigantes, pernambucanos emineiros. Depois do encontro dos dois blocos, a Passeata dosBonecões desembocará na Praça da Liberdade abrindo o FestivalInternacional Telemig Celular de Teatro de Bonecos 2002.Trata-se da terceira edição do evento, a primeira a ter o nomedo patrocinador incluído no título. É também a primeira a trazergrupos do Oriente, onde o teatro de bonecos é arte milenar degrande prestígio e depuração técnica. Durante 11 dias, 23 grupos de teatro de bonecos passarãopor Belo Horizonte apresentando espetáculos criados a partir dasmais diversas técnicas de manipulação - bonecos de luvas,manipulação direta, bonecos habitáveis, marionetes, mamulengos."Estamos trazendo técnicas de manipulação inéditas no Brasil",comenta Adriana Focas, curadora do evento com Lelo Silva. Uma dessas técnicas ainda inéditas se chama KurumaNingyo e será apresentada num espetáculo de três históriascurtas pelo japonês Hachioji Kuruma Ningyo. "Essa técnica foiinventada na minha família há mais de cem anos. Sou da quintageração de manipuladores", disse Ningyo em entrevista emLondrina, onde se apresentou no Filo, antes de ir para BeloHorizonte. "Essas parcerias são fundamentais para a qualidade ediversidade de companhias nos festivais", comenta o curadorLelo. "Conseguimos parcerias com Londrina e o Festival deCanela e com o Rio, não para toda a programação, mas para algunsespetáculos. O ideal é o que ocorre na Europa - um grandefestival ocorrendo simultaneamente em cinco ou seis cidades, comprogramação alternada." Na técnica oriental conhecida como bunraku são precisostrês manipulares para movimentar um boneco. A família KurumaNingyo criou um tipo de técnica na qual apenas um manipuladormovimenta o boneco. Ele se senta sobre um banquinho com rodas emanipula cabeça, braços e pés dos bonecos - presos aos pés domanipulador. No intervalo entre uma história e outra, osimpático Ningyo faz questão de explicar ao público como semanipula o boneco. Expõe os mecanismos, move braços e pernasvagarosamente revelando suas técnicas. "A cabeça desse bonecotem 120 anos", diz. A presença oriental marca esta terceira edição do festivalinternacional de bonecos de Belo Horizonte. Se no Brasil muitosainda associam "bonequinhos" a coisa infantil, no Oriente oteatro de bonecos é tão respeitado quanto o tradicional. O quefica claro na afirmação de Ningyo. "Eu manipulo bonecos há 30anos. Falta muito para eu ser um mestre como meu pai e meuavô." Um desses mestres, que estará pela primeira vez noBrasil, é o bonequeiro indiano Prasana Rao, de 84 anos. "Ele éuma das preciosidades da programação", diz Adriana. Raotrabalha com sombras e vai se apresentar com o peruano HugoSuarez. "Hugo trabalha com partes do corpo de bonecos: pés,mãos, barriga. Acho que será interessante mostrar essestrabalhos juntos." A mitologia hindu ganhará a cena com o grupo indianoPutthali Kalaranga que utiliza uma técnica de manipulação únicano mundo: fios e bengala. No espetáculo Kumara Sambhava ogrupo vai mostrar a luta entre Shiva e Brahma e o demônioTarakasura que quer roubar a imortalidade dos deuses. A curadoraAdriana chama atenção ainda para a técnica chamada "siamesa"utilizada pela companhia belga Mossux Bonté. "Os manipuladoresficam mesmo invisíveis de uma forma muito especial nessa técnica, não dá para distinguir quem é manipulador, quem é boneco."Mais informações sobre grupos brasileiros e estrangeiros nofestival podem ser obtidas no site www.fitb.uai.com.br.

Agencia Estado,

29 de maio de 2002 | 16h57

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