Festival Cultura Inglesa espanha arte por SP

A influência da imigração na criação artística britânica e a interação arte/tecnologia são os temas da 7.ª edição do Cultura Inglesa Festival, que começa hoje. Até 27 de maio, o evento apresenta 13 atrações espalhadas por diversos pontos de 7 cidades do Estado: capital, Santo André, Guarulhos, Campinas, Santos, Cotia e São José dos Campos. Como é tradição do festival, a programação contempla as diversas manifestações artísticas (confira a programação).O festival abre aos brasileiros a oportunidade de conhecer mais um pouco da obra da dramaturga britânica Sarah Kane, a mesma de 4.48 Psychose, estrelada recentemente no País pela diva francesa Isabelle Huppert. Festejada como um nome promissor da cena contemporânea britânica, Sarah se matou aos 28 anos, em 1999. A peça que ser encenada aqui é Ânsia, com direção Rubens Rusche, em que quatro pessoas (identificados como A, B, C e M) desfiam seus desejos e angústias.Outros destaques da programação teatral são as peças que desembarcam diretamente do Reino Unido: a multimídia Roadmetal Sweetbread, da prestigiosa Station House Opera, e Bright Colours Only, da irlandesa Pauline Goldsmith (que atuou em Sisters Magadelene, Leão de Ouro em Veneza). Sucesso no festival de Edimburgo do ano passado, Bright Colours Only põe a morte em cena, mas sempre por um ângulo bem-humorado, incisivo e emocionante.Na música, é destaque da agenda a banda multiétnica Maroon Town, batizada segundo o mais famoso quilombo da Jamaica. O grupo é formado em sua maioria por imigrantes e filhos de imigrantes, vindos da Jamaica, Espanha, Itália, Índia, Gana, Barbados, Austrália. A mistura se reflete no som da banda, que passeia pelo ska, dub, funk, rap e jazz. A programação musical traz ainda o encontro de Renato Braz, vencedor do último Prêmio Visa, e o contrabaixista Sizão Machado. A dupla vai abrir o projeto Duos Brasileiros, que vai ocupar regularmente o palco da unidade Pinheiros do Teatro Cultura Inglesa.Entre outros pontos altos do 7.º Cultura Inglesa Festival, vale a pena conferir o show African Sanctus do Brasil, com a soprano inglesa Maureen Brathwaite, coral da Osesp, os Meninos do Morumbi e regência do maestro Neville Creed, da Filarmônica de Londres. African Sanctus do Brasil foi idealizado pelo pesquisador de música étnica David Fanshawe e já roda o mundo há 30 anos. O espetáculo subverte a missa latina incorporando ritmos africanos, somados aos registros das viagens que Fanshawe fez pela África, entre 1969 e 73, visitando tribos no Egito, Sudão, Uganda e Quênia. No Brasil, ganha também ritmos como o samba e o maxixe.Entre as exposições, o destaque é a retrospectiva da fotógrafa alemã radicada na Inglaterra Fay Godwin. São mais de 250 registros, entre eles suas famosas paisagens em preto-e-branco e retratos de escritores como Salman Rushdie, Günter Grass e Doris Lessing.

Agencia Estado,

07 de maio de 2003 | 19h33

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