Festival consolida atividade como ótimo negócio

Depois de quase uma década, o Festival Internacional de Animação do Brasil - Anima Mundi está bem estabelecido. Hoje é o maior de animação da América Latina, com mais de 1.500 trabalhos do mundo todo exibidos para cerca de 172.000 pessoas até 1999. "Quando começamos o festival, era preciso explicar a muitos o que era um animador. Éramos freqüentemente confundidos com recreadores de festas infantis e apresentadores de auditório", diz a apresentação do catálogo desta 8º edição. "Hoje já não precisamos mais de muita explicação", reforça a apresentação, linhas a frente.Atualmente o esforço dos diretores e de outras pessoas envolvidas é provar que o Anima Mundi é muito mais que um festival de desenhos animados. Seu crescimento é uma verdadeira mostra de que além do divertimento isolado, animações podem ser também um ótimo negócio. Nesta edição, o Anima Mundi trouxe categorias novas, como Longas-metragens, Computação Gráfica, e a sessão O Que Vem Para a TV. Essas categorias, além de procurarem dar maior visibilidade a todos tipos de produções em andamento, também visam a mostrar que animação é lucrativa.A computação gráfica há muito tempo já auxilia nas produções de tevê convencionais e, principalmente, na publicidade. No festival poderão ser conferidos 22 trabalhos nessa modalidade. O filão dos longas também já é bastante conhecido do público, principalmente por causa das produções da Disney, como Tigrão e Fantasia 2000."O que pouca gente sabe, no entanto, é que o tipo de produção mais lucrativa são os desenhos em série, para televisão", diz César Coelho, um dos diretores do festival. É só lembrar que na programação aberta e a cabo são campeões de audiência, e na tv paga, inclusive, há três canais de televisão exclusivos para animação - sendo que dois destes vêm ao Animamundi numa mostra especial, o Locomotion e o Nickelodeon. A categoria O Que Vem Para a TV é uma aposta da diretoria do festival em produções que tem alto potencial para cair nesse mercado. Três animações canadenses, quatro americanas, quatro francesas e uma inglesa integram a mostra, que infelizmente não conta com nenhuma produção brasileira. "Os patrocinadores e as tevês ainda não perceberam que é nas séries onde a indústria de animação se mantém. Através delas, o mercado ganha milhões com licenciamento do personagem para produtos e distribuição para outros lugares do mundo", explica Coelho. Além de ser um investimento menor, pois não há dispêndio com atores, figurinos, cenografia, etc."Mas no Brasil parece não haver estrutura e interesse nisso. Mesmo o Maurício de Souza demorou mais de 20 anos para conseguir algo parecido", conta Coelho. Ele acrescenta que os benefícios de projetos nesse setor podem ser empolgantes em diversos aspectos econômicos. É, por exemplo, um mercado que gera emprego em todos os níveis, desde profissionais na operação, até no desenvolvimento de tecnologia. "Nos EUA e na França há grande protecionismo ao setor de animação por causa disso", diz. Apesar da seleção dos desenhos para a categoria ser um palpite dos quatro diretores do festival (Coelho, Marcos Magalhães, Aída Queiroz e Léa Zagury), outros concorrentes no Anima Mundi já tiveram a oportunidade de parar na televisão, como foi o caso de O Laboratório de Dexter, Os Anjinhos, e As Novas Aventuras de Johnny Quest. Este último teve uma Avant Premiére no Brasil, sendo exibido antes aqui do que em qualquer outro lugar, incluindo os EUA.

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