Eveldon de Freitas/ Estadão
Eveldon de Freitas/ Estadão

Festival Back2Black aposta na combinação de artistas

Festival chega à quinta edição de casa nova e com cinco nomes que estreiam no País

Murilo Bomfim, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2013 | 02h14

Há 50 anos, a cantora sul-africana Miriam Makeba denunciava as condições dos negros em seu país para o Comitê das Nações Unidas contra o Apartheid. Inflamado, o discurso fez com que sua nacionalidade fosse cassada, tornando apátrida a artista que ficou conhecida como Mama África.

A efeméride rende um tributo a Makeba - que morreu em 2008 - com artistas como Gilberto Gil e Zenzi Makeba Lee (neta da homenageada): ponto alto da segunda noite do Back2Black, festival de cultura negra que começa nesta sexta no Rio. Durante três dias, o complexo Cidade das Artes dança no mesmo suingue do hit Pata Pata (cujo sucesso é denunciado logo nos primeiros acordes), que celebrizou Makeba.

Criado em 2009, o festival que ocorria na Estação Leopoldina, no centro da cidade, realiza a sua quinta edição brasileira na longínqua Barra da Tijuca. "O centro está passando por uma obra enorme, as ruas estão fechadas, está uma confusão", diz Connie Lopes, idealizadora do evento, referindo-se à reforma do Porto Maravilha, na zona portuária carioca, que tem conclusão prevista para 2016.

Segundo Connie, apesar da distância, a mudança é benéfica: além da arquitetura que isola o local do tumulto da rua, ônibus urbanos passam frequentemente por lá e o preço do ingresso caiu. "A ideia também é 'deselitizar' a Cidade das Artes. Lá, não precisa construir nada. Os camarins, por exemplo, estão prontos." O festival atingiu o menor valor de entrada até agora, que é R$ 70. No ano passado, os ingressos mais baratos custavam R$ 120.

Diferentemente dos anos anteriores, o line up do festival não traz nenhum nome com forte apelo popular. O palco - que em edições passadas recebeu artistas como Lauryn Hill, Macy Gray e Missy Elliot - tem Bobby Womack como uma das maiores atrações. O americano, que canta R&B e soul, faz sua estreia no Brasil.

Outros quatro artistas também vêm ao país pela primeira vez: Buika, que nasceu na Guiné Equatorial e é radicada na Espanha; o nigeriano Keziah Jones que, mesclando blues, soul e funk, tem o 'blufunk' como estilo próprio; The Blind Boys of Alabama, grupo gospel que existe desde 1939; e a senegalesa Orchestra Baobab, com influência cubana em sua música afro.

Como nos anos anteriores, o Back2Black aposta na combinação de artistas. É o caso de Criolo, que canta hoje com o nigeriano Tony Allen, responsável, ao lado de Fela Kuti, pelo Afrobeat. O rapper do Grajaú, que teve Allen na plateia de um show em Paris no ano passado, compôs uma música especialmente para a apresentação no festival.

Parte dos shows do Back2Black ocorrem na Grande Sala, dentro da Cidade das Artes, com ingressos vendidos à parte. Hoje o espaço recebe Milton Nascimento. No sábado, é a vez dos Blind Boys of Alabama e, no domingo, Mart'nália faz uma homenagem a Vinicius de Moraes antes de Buika subir ao palco.

Nos três dias de festival, a programação é aberta com debates que tiveram curadoria do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Destaque para o bate-papo de amanhã, no qual Gilberto Gil e o ativista político americano Jesse Jackson discutem a democratização da África.

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