Festival apresenta a América do Sul desconhecida

A despeito de qualquer animosidade entreos governos da América do Sul, quem esteve em Corumbá estasemana pôde observar que, entre os povos sul-americanos aintegração existe e convive fraternalmente, bem ali na fronteiraentre Brasil e Bolívia. "A integração vai muito além de um meroencontro diplomático entre os presidentes. Ela acontece com aspessoas que vivem nesses países, com suas culturas e muito amor" disse o Secretário Geral da Associação Poetas del Mundo, opoeta chileno Luis Arias Manzo. Desde sábado passado até o próximo ocorre a 3.ª edição doFestival América do Sul, evento anual que reúne manifestaçõesculturais de todos os tipos, entre as quais, teatro, cinema,música, artes visuais e literatura, em Corumbá, no Mato Grossodo Sul. "O festival apresenta aos brasileiros o Brasil e outrospaíses da América do Sul que não conhecemos", opinou oorganizador do evento, Pedro Ortale. Bandas e artistas jáconhecidos como Cidade Negra e Zeca Pagodinho (a atração maisesperada para o encerramento do festival amanhã) também levaramsuas músicas para Corumbá a fim de formar público. "As pessoasque vivem aqui não têm acesso a muitas opções culturais. Quandofazemos um festival como esse, temos de reunir grupos pop comoutros tantos de qualidade, porém menos conhecidos. Assim, um dádestaque ao outro e o público passa a conhecer e gostar daquelesainda não populares", explicou Ortale. Na segunda-feira, os corumbaenses foram à loucura ao somdos paraguaios Rigoberto Arévolo y su Trío de Siempre. Aempolgação era parecida com a dos que presenciaram o show do U2em São Paulo, só que numa menor escala e para poucosprivilegiados. Ao som de polcas paraguaias, como Mercedita, eclássicas músicas populares brasileiras como Felicidade, deLupicínio Rodrigues, fizeram o público de aproximadamente 1500pessoas cantarem em coro. E não faltaram sapucaias - gritosdurante a parte instrumental das canções (numa reproduçãoonomatopéica seria algo como ?iiháaaa?). Na mesma noite, subiram ao palco o gaúcho RenatoBorghetti com sua gaita (como os sulistas chamam o acordeom), abanda colombiana de vanguarda Puerto Candelária, e o AméricaContemporânea, um símbolo perfeito do que representa o FestivalAmérica do Sul - o compositor Benjamim Taubkin lidera o grupoque reúne músicos da melhor qualidade vindos da Argentina, Peru(Luis Solar Narciso, que toca cajón e sapateia com maestria),Colômbia (Lucía Pulido com sua belíssima voz), Venezuela e Chile além do próprio Brasil. A maior expressão folclórica boliviana também marcoupresença nas praças da "capital do Pantanal": o Carnaval deOruro. O Grupo de Danza Mi Patria apresentou três espetáculos doCarnaval, originado em 1789 nas invocações ancestrais andinas àPachamama (Mãe Terra), Tio Supay (Diabo) e à Virgem Candelária -Tobas, Tinku e Caporales. O espetáculo A Descoberta das Américas, um monólogocom Júlio Adrião, lotou o teatro que beira o Rio Paraguai e foiovacionado em suas duas apresentações. Outro destaque foi a apresentação dos peruanosintegrantes de La Gran Marcha de los Muñecones na manhã daquarta-feira em Puerto Suárez, na Bolívia. Mais de mil pessoas,em sua maioria crianças de 6 a 10 anos, ficaram encantadas comaqueles bonecos gigantes, de quase 5 metros de altura. "Corumbátornou-se a capital dos irmãos sul-americanos", afirmou EduardoAlonso Delgado, de 19 anos, manipulador de um dos bonecões. A repórter viajou a convite da organização do festival

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.