Festa quente em La Plata

CORRESPONDENTE

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2011 | 00h00

LA PLATA, ARGENTINA

"Muito feliz de estar em Buenos Aires!" A frase, exclamada por Bono, líder do grupo U2, foi carinhosamente ignorada pelos fãs, que o ovacionaram apesar da gafe. Bono, na realidade, estava a 57 quilômetros de Buenos Aires, no estádio da pacata cidade de La Plata. Ali, onde fez a segunda apresentação em território argentino da turnê 360°, o cantor também expressou que não tinha vontade de ir embora do país. Como resposta, os 60 mil fãs que haviam se aglutinado em La Plata entoaram um longo "Bono no se va?Bono no se va!". Na sequência, o irlandês fez uma dissertação apologética sobre as garotas, o tango, a gastronomia argentina e os bairros portenhos de Palermo e San Telmo. "Son unos bonbones" ("São uns bombons", expressão argentina usada para exaltar a beleza física das mulheres), proferiu Bono em espanhol para delírio das fãs e concordância do público masculino.

No entanto, o estádio entrou em frenesi quando Bono convidou uma adolescente da plateia para subir no palco e ajudá-lo a ler em espanhol a letra de Gracias a la Vida, a canção - segundo o roqueiro irlandês - que é a preferida de todos os integrantes do U2. Junto com a jovem, que sabia a letra de cor e salteado - pronunciou os versos da poetisa e cantora chilena Violeta Parra (1917-1967), que tornaram-se mundialmente famosos na voz da cantora argentina Mercedes Sosa (1935-2009). Apesar dos erros de pronúncia - e de algumas falhas na letra - os fãs celebraram a interpretação de Bono.

Além de paparicar o público nativo, ele também fez diversas enfáticas defesas dos Direitos Humanos em todo o planeta e realizou uma homenagem à birmanesa Aung San Su Kyi, Prêmio Nobel da Paz de 1991, por sua luta contra a ditadura em seu país. Depois, um grupo de jovens fãs caminhou no palco carregando lanternas com o símbolo da organização Anistia Internacional.

O prelúdio do show foi realizado pela banda inglesa Muse, que - sob o comando de Matthew Bellamy (cuja esposa, a atriz Kate Hudson, esteve em Buenos Aires nos últimos dias para acompanhar o marido) - começou a preparar o clima para o U2.

Após a apresentação da Muse - e antes do início do show do U2 - o público ouviu pelos alto-falantes do estádio a canção Música Ligeira, do roqueiro argentino Gustavo Cerati, que está em coma por um AVC desde o ano passado. A plateia reagiu com um estrondoso aplauso. A outra surpresa seguiu na sequência, quando o estádio foi embalado com os acordes do primeiro movimento da sexta sinfonia de Beethoven. Na sequência, sob os urros da plateia, entraram no palco Bono, o guitarrista (e também cantor) The Edge, o baixista Adam Clayton e o percussionista Larry Mullen. O pontapé inicial do show do sábado foi a canção Ever Better than the Real Thing. Depois, ao longo de duas horas e meia de show, o grupo embalou a noitada com New Year"s Day, Stand by Me, Bloody Sunday e With or Without You.

Durante sua estadia de uma semana em terras argentinas, Bono e seus parceiros do grupo desfrutaram intensamente a noite portenha. O líder do U2 visitou os restaurantes da moda para degustar quase todas as noites a suculenta carne bovina local. Além disso, foi a refinados shows de tango, entre eles, o Rojo Tango, no hotel Faena. Depois de umas rodadas de tequila, Bono e The Edge ensaiaram com as bailarinas do espetáculo alguns passos de tango. As risadas do grupo acordaram o ator americano John Cusack, hospedado no hotel (ele está rodando um filme na cidade), que desceu ao salão de tango e convidou o quarteto irlandês para uns drinques no Library Lounge do estabelecimento.

Bono também manteve uma reunião de uma hora com a presidente Cristina Kirchner, sua declarada fã, e deu à presidente um reprodutor digital com as canções do grupo. Ontem, o U2, grupo que em setembro completará 35 anos de existência, fez seu terceiro e derradeiro show na Argentina, antes de partir para o Brasil.

No sábado, durante o show, Bono também fez piadinhas sobre seus colegas de banda. Segundo ele, Mullen, "quando dança, estamos em problemas". Sobre Clayton, explicou que "bebeu muito chimarrão em Buenos Aires" e que "teve a companhia de belas argentinas". Sobre seu guitarrista, fez mistério: "Ah, e The Edge... ah...".

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