Festa dos melhores vai para peças alternativas

A festa do Prêmio Shell deste ano terminou sem um único grande vencedor. Em sua 24.ª edição, a premiação preferiu contemplar, de forma aparentemente equilibrada, os maiores destaques da cena alternativa paulistana.

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2012 | 03h09

Responsável pelo sucesso underground Luís Antônio-Gabriela, Nelson Baskerville foi escolhido como melhor diretor. O espetáculo havia recebido o maior número de indicações deste ano: autor, direção, ator, figurino e iluminação. Baseada na história familiar do encenador, a montagem trata de seu irmão transexual. "Agradeço ao júri por ter visto no espetáculo mais do que um desabafo, uma possibilidade estética", disse Baskerville, após receber o troféu.

Pelo segundo ano consecutivo, Leonardo Moreira mereceu o prêmio de melhor autor. O jovem dramaturgo, que havia sido premiado em 2011 por Escuro, voltou a ser reconhecido por O Jardim. A peça, uma das criações mais notáveis do último ano, também foi reconhecida pelo Shell por seu cenário, assinado por Marisa Bentivegna. Em seu discurso, Moreira fez questão de frisar o caráter coletivo de sua dramaturgia. "Não é um prêmio meu, é um prêmio nosso", declarou o autor, referindo-se aos seus companheiros da Cia. Hiato.

Como melhor ator de 2011, o júri escolheu Rodrigo Bolzan. O intérprete, que acumula passagens por destacados coletivos de São Paulo, como a Cia. do Latão e o núcleo Argonautas, foi premiado por sua atuação em Oxigênio - um espetáculo da curitibana Cia. Brasileira de Teatro. "É importante ver reconhecido um trabalho que não é nem do Rio nem de São Paulo", observou Bolzan.

A surpresa da noite ficou por conta da escolha de melhor atriz. Ainda que estivesse indicada por dois espetáculos - A Serpente no Jardim e A Ilusão Cômica -, Lavínia Pannunzio não foi a selecionada pelos jurados. O prêmio acabou nas mãos de Roberta Estrela D'Alva, por seu desempenho em Orfeu Mestiço - Uma HipÓpera Brasileira, peça do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos.

Mariangela Alves de Lima foi a homenageada especial desta edição. Uma das mais importantes pesquisadoras do teatro brasileiro, Mariangela teve sua trajetória relembrada durante a festa. Ao longo de 40 anos, ela atuou como crítica do Estado. "Agradeço aos meus leitores que, durante todos esses anos, fizeram o esforço de passar desse nosso tempo tão sintético para o tempo analítico do texto."

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