Festa dos 20 anos

São Paulo Fashion Week festeja duas décadas de desfiles no Brasil e da carreira da top Gisele Bündchen, que agora se despede das passarelas

Maria Rita Alonso, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2015 | 02h06

Vinte é um número mágico para a moda brasileira hoje. A São Paulo Fashion Week chega à sua 20ª edição firmando-se como o principal palco do setor. Organizado pelo produtor Paulo Borges em 1995, o evento batizado inicialmente de Morumbi Fashion reuniu, promoveu e revelou os principais nomes da indústria. Entre eles, Gisele Bündchen, a supermodelo que colocou o Brasil no mapa da moda internacional e que iniciou a sua carreira há exatos 20 anos. É emblemático, portanto, que ela tenha escolhido encerrar sua presença nas passarelas no ponto em que começou. Seu desfile de despedida, para a marca Colcci, está marcado para quarta-feira.

"Queremos celebrar as pessoas que fizeram parte desse processo, resgatando os encontros e as conexões que ajudaram a nossa moda reverberar", diz Borges. Para isso, foi montada uma exposição com 33 fotos assinadas por Bob Wolfenson, com curadoria de Borges. A mostra estará em cartaz durante a temporada, entre 13 e 17 de abril, no Parque Cândido Portinari. "São retratos de personalidades que marcaram o cenário da moda. Costanza Pascolato, Christine Yufon e Jun Nakao são alguns deles", afirma Wolfenson. Outra novidade da edição é a parceria com o Museu Afro Brasil, que trará a mostra Africa Africans Moda e apresentará as criações de 5 estilistas africanos em um desfile.

Nas últimas edições, o evento renovou seu grupo de estilistas abrindo espaço para novos como Patricia Bonaldi e Lilly Sarti, que fazem uma moda jovem, comercial e bem-sucedida. Nesta temporada, com o Fashion Rio interrompido por falta de patrocinadores, chegaram também marcas respeitadas de moda praia como Salinas e Lenny Niemeyer. Com os cariocas, o line-up ficou mais consistente, apesar do ano apresentar baixas como as grifes Tufi Duek e Triton.

Ao longo dessas duas décadas, o evento já perdeu seu espaço tradicional no prédio da Bienal (hoje os desfiles ocorrem em uma estrutura montada no Parque Villa Lobos) e viu alguns estilistas conhecidos, como Marcelo Sommer, André Lima e Dudu Bertolini, perderem fôlego e não conseguir respaldo empresarial para seguir com as suas marcas.

Ainda assim, o evento mantém a missão de divulgar e consolidar a indústria fashion brasileira. "A moda nacional nasceu realmente nos anos 1990, com o SPFW, a abertura da economia e a chegada das grifes internacionais. Até então, copiávamos os estilistas de fora", diz João Braga, escritor e professor de história da moda. "A valorização dos desfiles, de certa maneira, fez toda a roda da indústria girar."

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