Festa do Emmy consagra 'Homeland'

Série surpreendeu ao conquistar seis troféus e desbancar a favorita Mad Men

CRISTINA PADIGLIONE, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h10

Festa "tipo Oscar", mas que não é Oscar, tem lá suas vantagens. Apesar de todo o mise-en-scène de tapete vermelho e modelões black tie, é menos histriônica - o que não quer dizer menos botocada por cirurgias plásticas e braços marombados. A premiação do 64º Emmy Awards, na noite de anteontem, em Los Angeles, endossou não só a semelhança de sua cerimônia com a do Oscar, como também a proximidade entre as duas indústrias, colecionando cada vez mais profissionais dispostos a frequentar as duas telas.

O time é liderado pelo ator que, como produtor, já se tornou querido desse métier: Tom Hanks subiu ao palco para celebrar a premiação da minissérie Game Change, que também deu a Julianne Moore o troféu de melhor atriz na categoria minissérie/telefilme. "Eu me sinto tão bem porque a Sarah Palin não aprovou a minha interpretação de Sarah Palin, então, acho que fiz um bom trabalho", disse a ruiva, coberta do pescoço aos tornozelos por um vestido amarelo de gosto duvidoso.

O tom político dado pelas vitórias de Game Change, que vasculha os bastidores da campanha de Sarah à vice-presidência dos EUA, não ficou restrito ao título. Logo na abertura da noite, o mestre de cerimônias Jimmy Kimmel já reconhecia que "é difícil ser republicano em Hollywood".

Outra previsão sua, no entanto, passou longe de se consumar: todas as honras a Jon Hamm, um dos favoritos ao título de melhor ator de série dramática por Mad Men, não lhe renderam a estatueta. O prêmio ficou com Damian Lewis, por Homeland, série que faturou seis prêmios, incluindo o de melhor série dramática, e foi a grande surpresa da noite, derrotando as favoritas Mad Men e a inglesa Downtown Abbey. Baseada em uma série israelense, Homeland também envereda para o contexto político, com a pitada de perseguição que tanto fascina os americanos, ao misturar CIA com Al-Qaeda.

Indicada a 17 categorias, Mad Men saiu de mãos abanando. Já Game of Thrones, outra série da HBO, baseada na saga de livros de George R.R. Martin, levou seis estatuetas em categorias técnicas como artes visuais e efeitos especiais.

Merecido. Após sete indicações e a prova de que poderia fazer Two And a Half Men sobreviver sem Charlie Sheen, Jon Cryer levou um merecido troféu como melhor ator de série de comédia, amém. Mais do que endossar seu poder de fôlego sem Sheen, Cryer sustentou a escada ao "poste" bonitão Ashton Kutcher, que chegou à série este ano.

Julia Louis-Dreyfus, por Veep, levou a estatueta de melhor atriz de comédia. "Dizem que é comédia, eu não vejo graça em ser vice-presidente dos EUA", brincou a atriz, que já foi premiada em outros Emmys por Seinfeld e The Adventures of Old Christine.

Kevin Costner reapareceu, mais magro e sem o vigor de outros tempos, consagrado como ator de minissérie/telefilme. E a plateia se levantou para aplaudir Michal J.Fox, portador do Mal de Parkinson, que entregou o último prêmio da noite, coroando Modern Family como melhor série de comédia pelo terceiro ano consecutivo.

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