Ferréz mostra sua primeira coletânea de contos

"Levanta logo, preto, desce pro bar. Mas eu... Desce pro bar, porra.Tô indo. Tento pegar o chinelo, cutuco com o pé embaixo da cama, mas não acho. Todo mundo lá embaixo, o bar da minha mãe tá fechado, cinco homens, é a Dona Zica, a Rota. É o seguinte, por que esse bar só tem preto? Ninguém responde, vou ficar calado também, não sei por que somos pretos, não escolhi. Vamos, p..., vamos falando, por que aqui só tem preto? Porque... porque...Por que o quê, macaca? Minha mãe num é macaca. (...) Penso em falar, sou do rap, sou guerreiro, mas não paro de olhar a pistola na mão dele." Assim Ferrez constrói Fábrica de Fazer Vilão, um dos contos inéditos de seu novo livro Ninguém É Inocente em São Paulo, que lança na próxima segunda-feira, pela editora Objetiva.Esta é a primeira vez que o autor paulista publica em livro seus contos e crônicas, vários inéditos e outros publicados em revistas como Caros Amigos, Trip, Rap Brasil. "Escrever contos é diferente de romance, que exigem muito; os personagens têm de ser muito bem desenvolvidos. Mas é um trampo também. Tem conto que escrevo em um dia e passo um mês revisando. Tem outros que passo um mês escrevendo e reviso em um dia", diz Ferrez, que também prepara uma coletânea de músicas e uma peça. "São Paulo é uma cidade tão corrida. Ninguém tem tempo. Por isso, pensei em contar pequenas histórias da perifa para se ler rapidamente."

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