J.F. Diorio/Estadão - 15/7/2013
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Fernando Morais diz que vai abandonar trabalho como biógrafo

Em evento em Fortaleza, ele se diz cético a respeito de discussão sobre biografias no STF: 'Sou pessimista quanto ao que vem dos juízes., tanto que disse a José Dirceu que ele seria condenado no julgamento do mensalão e preso. E o que está acontecendo?'

Maria Fernanda Rodrigues/Fortaleza, O Estado de S. Paulo

14 de novembro de 2013 | 18h24

Jornalista e autor de biografias célebres como a de Olga Benário, Assis Chateaubriand e Paulo Coelho, Fernando Morais disse que cansou mesmo de sua segunda ocupação. A criação do grupo Procure Saber, que tem em sua formação personalidades como Caetano Veloso, Chico Buarque e Paula Lavigne e que é contra a liberação de biografias sem autorização dos personagens, foi a gota d’água, disse ele em Fortaleza, onde fez, no fim da tarde de ontem, a abertura do 1.º Festival Nacional de Biografias.

"Paulo Coelho costuma dizer que não existe coincidência, e não é coincidência que a gente esteja aqui, hoje, discutindo biografias num momento em que figuras célebres pretendem se transformar em censores. Não devemos ter medo de dar nome às coisas, e o que eles estão fazendo é tentar impor a censura prévia", disse o escritor.

Um pouco antes de começar o debate mediado por Paulo Cesar de Araújo, biógrafo de Roberto Carlos, ele contou que o livro que está escrevendo sobre o ex-presidente Lula, que sairia para o Natal mas que ficará para depois das eleições, será o último. "Depois, vou vender caju na praça Buenos Aires. Vou pedir emprego em jornal, mas não escrevo mais." Morais contou que tem caixas e mais caixas com pesquisas para possíveis novas biografias, mas que vai dar de presente para os biógrafos mais novos.

O escritor não tinha planos de ir a Brasília na próxima semana, quando será realizada uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal. "Mas se precisar, eu vou. Agora, não mais por mim. Estou defendendo o direito dos outros."

De Fortaleza, Fernando Morais pretende sair com uma carta endereçada à ministra Carmen Lucia. "Vou propor que a gente faça um texto único, curto, que será assinado pelos 11 biógrafos presentes e enviado à ministra para que ela veja a gravidade do que está a julgar."

Ele se diz cético. "Em geral, sou muito pessimista quanto ao que vem dos juízes. Tanto que disse a José Dirceu que ele seria condenado no julgamento do mensalão e preso. E o que está acontecendo?"

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