Francois Mori/AP
Francois Mori/AP

Fernando Meirelles fala ao 'Estado' sobre projetos para TV

Diretor assinará a produção executiva das novas séries televisivas 'Contos de Edgar' e '360'

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2012 | 03h08

Um dos raros nomes do País que hoje viraram marca em Hollywood, o cineasta Fernando Meirelles - de Cidade de Deus e Ensaio sobre a Cegueira - pouco faz televisão, mas essa realidade tende a mudar ainda este ano. Foram anunciados esta semana dois projetos para o grupo Fox que levam a assinatura dele como produtor executivo, para o segundo semestre e que tendem a se tornar frequentes, agora que a o2, produtora de Meirelles, organiza um banco de projetos para atender à demanda da Lei 12.485. Em processo de regulamentação, a lei prevê a criação de cota de programação nacional nos canais pagos e promete movimentar a indústria audiovisual do País.

Ao Estado, Meirelles falou sobre os novos projetos na TV: a série de mistério Contos de Edgar, para o canal FX, com cinco episódios, baseada na obra de Edgar Allan Poe; e a série 360, que mistura jornalismo e reality show, para o NatGeo.

Além do suspense, tema pouco usual na nossa TV, outro inusitado em Contos... é a aposta na equipe jovem, a começar pelo diretor, Pedro Morelli, de 24 anos, e pelo roteirista Pedro Furtado, de 28. "A série será feita por uma garotada com menos de 30 anos. Muita gente estará estreando profissionalmente. Com a estrutura da O2, será possível suprir o que falta de experiência à turma, e o entusiasmo geral é a gasolina."

360 terá, a princípio, cinco episódios, que vão mostrar temas polêmicos a partir de diferentes olhares. "Vamos falar não do ponto de vista de um repórter, mas acompanhar a vida das pessoas envolvidas nas questões, com um pé no reality show", explica. Entre os temas estão crack, produção de madeira sustentável e o excesso de zelo do Ibama, indústria da soja, explosão de Altamira e consumo.

Dirigida por Marcelo Machado (do longa Tropicália), a série nada tem a ver com o filme 360, de Meirelles, que estreia em setembro. "Talvez esse título não seja mantido. Estamos usando pois a série vai abordar questões polêmicas por todos os ângulos. Pensamos em Ponto de Vista, mas isso tem cara de programa chapa-branca. Não?"

Sobre os novos formatos, o cineasta acredita que é na TV paga que os projetos mais ousados terão vez neste momento.

"A Globo costumava inovar em formatos, mas, hoje, a briga pela audiência está tão dura que nem eles andam arriscando e investem mais no que é mais garantido", disse. "Talvez agora caiba às TVs pagas buscar estas brechas, experimentar. Fora do Brasil, as TVs a cabo estão dando um banho nas redes." Vale lembrar que uma das ousadias da Globo atende pelo título de Som & Fúria (2010), série de Meirelles que só teve uma temporada.

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