Fernando Alves Pinto

Com terra estrangeira, virou ator-símbolo da retomada do cinema brasileiro; hoje, 16 anos, 20 longas e 40 curtas depois, dirige sua primeira peça

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2010 | 00h00

Você já fez mais de 20 longas, 40 curtas, nunca deixou o teatro e ainda faz comerciais e TV. Do que você gosta mais?

Acho que empata. O teatro é minha casa, é onde a relação com o público é direta e orgânica, mas o cinema é como um quadro. Permanece. Décadas depois ainda pode ser visto de pontos de vista diferentes. Até hoje me emociono vendo Terra Estrangeira (de 1994, dirigido por Walter Salles e Daniella Thomas). Se não fosse pelo filme, talvez eu não tivesse voltado ao Brasil após seis anos em Nova York, onde estava feliz trabalhando com teatro físico.

Mesmo com 20 longas, você foi protagonista de 3. Há algum motivo para você não ter ganhado mais papéis principais?

Talvez a exposição que não tive ao recusar ser contratado da Globo. A TV é muito forte e obviamente chama atenção de patrocinadores, diretores... Quando a Globo quis me contratar, ainda não havia esta cultura das séries e especiais na TV daqui. E mesmo em Nova York, ator bom fazia cinema e teatro.

Você se arrependeu?

Certa vez, quando o aluguel pesou, pensei: "Por que não aceitei fazer TV?" Depois vi que fiz a coisa certa. Vivo bem como ator no Brasil, o que é privilégio.

Como vive um ator no Brasil?

Para mim, ser ator é uma busca eterna. Jamais deixo de fazer teatro e cinema. Mas faço dublagens e, claro, publicidade. Um comercial, se bem contado (como um norueguês que acabei de fazer sobre plantações de café cultivado por noruegueses no Brasil), pode ser interessante.

Você está em cartaz em um espetáculo online e também dirige uma peça pela primeira vez.

São duas experiências diferentes. A peça na internet é a Um Teatro para Alguém. É a primeira vez que faço algo assim. Não é "teatro filmado". É híbrido. A relação do câmera com os atores é orgânica. O olhar dele nos acompanha. A performance é ao vivo e, depois, o registro fica online. Vou fazer em julho três apresentações de A Mulher Que Ri, de Yara de Novaes, no Rio. E estou dirigindo um texto que se chama Fluxo, com dois jovens atores, que estreia em outubro.

E no cinema?

Estou em dois longas que estreiam neste ano, o Nosso Lar, de Wagner de Assis, e protagonizo Dois Coelhos, do Afonso Poyar.

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