Nilton Fukuda
Nilton Fukuda

Fernando Altério: 'Nova Lei Rouanet discrimina São Paulo'

Maior investidor de musicais no País diz que as medidas para definir as exceções ao teto de R$ 1 milhão são subjetivas, afirma que o mercado que emprega mais de 50 mil pessoas será dizimado e diz que vai pressionar Bolsonaro a mudar de ideia; governo responde dizendo que setor pode buscar financiamento de outra forma

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2019 | 21h01

Fernando Altério, presidente da empresa Time For Fun, a maior investidora em musicais do País, diz que as mudanças da Lei Rouanet demonstram a forma desigual e subjetiva com a qual a equipe do governo do presidente Bolsonaro lida com a Cultura. "Quem pode dizer que a árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas (Rio) ou o carnaval sejam mais culturais do que um espetáculo musical ou uma exposição?" Ele se refere a uma das mudanças que libera eventos comemorativos como os relacionados ao Natal, carnaval e outros do teto de R$ 1 milhão, o novo limite para os projetos. Os comemorativos podem captar, pela nova lei, até R$ 6 milhões.

O limite de R$ 1 milhão para os musicais, segundo Altério, vai dizimar o setor no Brasil. "Conseguimos ser o terceiro maior mercado de musicais do mundo, atrás apenas de Nova York e Londres." Ele calcula que o meio empregue 40 mil pessoas indiretamente e 12 mil diretamente. Um espetáculo como 'O Fantasma da Ópera', por exemplo, não voltará a ser encenado no Brasil. Seu custo é de R$ 54 milhões. Altério diz ainda que a medida do governo Bolsonaro faz uma forte discriminação ao estado de São Paulo. "Nos reunimos com o prefeito Bruno Covas, vamos fazer o mesmo com o governador Doria e seguiremos aos deputados e senadores. O prefeito Bruno Covas já tem a consciência do impacto dos musicais em São Paulo. O mercado vai acabar totalmente com essas mudanças, fica inviabilizado. E isso vai contra a bandeira de campanha do presidente, que era a de gerar emprego."

A Secretaria Nacional de Cultura respondeu à reportagem as críticas do setor por meio de sua assessoria de comunicação. O texto dizo seguinte: "A nova Instrução Normativa da Lei de Incentivo à Cultura busca priorizar projetos de menor valor com o objetivo de estimular mais produtores culturais e jovens talentos, promover a descentralização de projetos além do eixo Rio-São Paulo, com geração de emprego e renda em todas as regiões do País." O governo entende que os musicais podem viver de outros patrocínios: "Setores como o de musicais podem buscar novas formas de financiamento dado seu potencial de retorno de exploração de imagem, atrativo a patrocinadores privados."

 

  

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