Stephane Mahe/Reuters
Stephane Mahe/Reuters

Feministas francesas comparam Deneuve e críticos do movimento 'MeToo' a 'tio inconveniente'

Catherine Deneuve e outras 99 mulheres assinaram uma coluna no jornal Le Monde em que argumentam que a campanha #Metoo equivale a “puritanismo”

Ingrid Melander e Caroline Pailliez, Reuters

10 Janeiro 2018 | 12h00

A atriz Catherine Deneuve e outros críticos do movimento contra abusos sexuais #Metoo parecem “o tio inconveniente do jantar em família”, disseram importantes feministas francesas nesta quarta-feira, 10.

Catherine Deneuve e outras 99 mulheres assinaram na terça-feira uma coluna no jornal Le Monde em que argumentam que a campanha #Metoo equivale a “puritanismo” e é alimentada por um ódio aos homens. O tom da coluna contrastou com aquele assumido por celebridades na premiação do Globo de Ouro, no domingo, no qual Oprah Winfrey e outras grandes personalidades de Hollywood apoiaram o movimento #MeToo e outras iniciativas para lutar contra a desigualdade de gênero e a agressão sexual.

“Com essa coluna elas estão tentando construir de volta o muro de silêncio que nós começamos a destruir”, disseram a ativista feminista Caroline De Haas e outras 30 mulheres, em sua própria coluna, publicada pelo site da emissora de TV Franceinfo.

Milhões de mulheres usaram as redes sociais nos últimos meses para compartilhar suas histórias de agressões ou abusos sexuais, usando a hashtag #MeToo mundialmente ou #balancetonporc (#DenuncieSeuPorco) na França, como resultado das acusações contra o produtor de cinema norte-americano Harvey Weinstein.

++ Artistas e intelectuais francesas criticam 'puritanismo' de campanha contra o assédio

Mas, a atriz Catherine Deneuve, de 74 anos, e outras signatárias da coluna de terça-feira disseram que o movimento #MeToo havia ido longe demais, defendendo o que descreveram como o direito de homens “importunarem” as mulheres. Elas disseram que isso é essencial para a liberdade sexual e que mulheres podem ser fortes o suficiente para “não ficaram traumatizadas com assediadores no metrô”.

“É perigoso colocar nestes termos”, disse a ministra de Igualdade de Gênero, Marlene Schiappa, à rádio France Culture, dizendo que o governo já está lutando para convencer jovens mulheres de que elas não têm culpa quando alguém as assedia e de que elas devem ir à polícia prestar queixas quando isso acontece.

Caroline De Haas e outras ativistas argumentaram que aqueles que pensam como Deneuve ignoram a realidade do abuso sexual. “Assim que há algum progresso com a igualdade (de gênero), mesmo de meio milímetro, algumas boas almas advertem que nós podemos estar indo longe demais”, escreveram.

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