Feminino na Dança privilegia pesquisa

Nesta quarta-feira começa a 11.ªedição do Feminino na Dança, no Centro Cultural São Paulo. Aproposta do evento, mais do que tratar da questão de gênero,como o nome sugere, é a de abrir portas para a apresentação detrabalhos ainda em fase de pesquisa. Em pouco mais de uma década o Feminino reuniu talentos e firmou-se como um celeiro de bonsartistas.Esta edição começa com o espetáculo Nas Redondezas do Ser,concepção de Emilie Sugai. A intérprete-criadora integra o grupoTamanduá, de Takao Kusuno, morto em março de 2001. A bailarinaperdeu seu mestre, mas dá seqüência a sua investigação: um olharvoltado às próprias origens. A questão da identidade cultural eo diálogo entre Ocidente e Oriente permeiam todas as suascoreografias. "Sou filha de japoneses, meu corpo é oriental, noentanto sou brasileira. Nesse sentido, minha atenção volta-separa a maneira como as duas culturas interagem", diz Emilie.Nas Redondezas do Ser coloca em cena a relação entre o corpo, o espaço e uma esfera. "Estou no início de um novo processo depesquisa, que nasceu da observação de uma bolinha enrolada comfios, uma representação dos fios de seda, inspiração vinda daslendas japonesas repletas de bichos da seda e mulheres que setransformam." O interesse de Emilie está na observação dasmudanças do corpo; todo o trabalho é desenvolvido a partir deimprovisações.Querida Senhora M., de Juliana Moraes, é a segundaperformance da noite. O foco dessa coreografia está na loucura.A peça teve como ponto de partida o universo da personagem LadyMacbeth, de William Shakespeare. Por meio de gestos e movimentos, Juliana mostra as ações de um corpo desequilibrado. Julianaestudou no Laban Centre em Londres, com o apoio da bolsa Apartes,oferecida pelo MEC. "Essa é a segunda versão da minhadissertação de mestrado, na Inglaterra. Lá, fiz um curso deaperfeiçoamento e depois consegui apoio do governo brasileiropara o mestrado", diz."Na primeira versão, apresentada em Londres, eu apenascoreografei, fiquei doente um mês antes da apresentação. Nesseprimeiro momento, trabalhei com a repetição dos movimentosmesclados às técnicas de Laban."Em novembro de 2001, de volta ao Brasil, a bailarina ganhou umabolsa da Rede Stagium. "Em três meses, fiz algumas adaptaçõespara o meu corpo e mudei o enfoque. Agora, a coreografia estávoltada para a personagem Lady Macbeth, uma peça mais dramática,mesmo que a base técnica permaneça." Ambas as coreografiasficam em cartaz até o dia 26.Curiosidade - A partir do dia 29 chega a Sala Paulo EmílioTu-Tall, uma discussão entre real e imaginário. Lu Favoretto eMarina Caron desenvolvem uma linguagem a partir da percepçãosensorial e motora articuladas às imagens e figuras de girafas.As duas intérpretes-criadoras desenvolvem suas atividades noEstúdio Nova Dança. Uma curiosidade: Tu-Tall é o nome de umagirafa que teve um enfarte ao mudar de um zoológico para outro.O encontro entre Gaby Imparato e Pin Nogueira ocorreu em 2000,no curso de Comunicações e Artes do Corpo da PUC. Gaby é formadaem Física e estabelece uma ponte entre essa ciência e astécnicas de Martha Graham. Pin é atriz e atuou no grupo deAntunes Filho. A dupla, formada em 2001, apresenta Bonita. Otema central está ligado à figura feminina na obra de NelsonRodrigues.Para fechar a programação, de 12 a 16 de junho, Paula Aguasdiscute a maneira como os estímulos musicais interferem naconcepção de uma coreografia. Após um encontro em Brasília sobreas técnicas de contato e improvisação, Paula desenvolveu QualÉ a Música?.A bailarina leva ao palco uma cesta com 50 CDs variados - demúsica erudita à eletrônica. O público é convidado a escolher aseqüência musical. "A platéia vira DJ do espetáculo. Crio osmovimentos a partir da trilha sonora, a iluminação acompanha omeu ritmo, dessa forma a cada noite fazemos um espetáculonovo."Qual É a Música? foi exibido no Solos do Sesc. "O públicointeragiu e tivemos de colocar uma pessoa para organizar asmudanças das músicas, para não virar bagunça." Após aapresentação no Centro Cultural, a coreografia entra no CircuitoCarioca de Dança.Serviço O Feminino na Dança. Quarta a sábado, às 21h; domingo, às20h. De R$ 5 a R$ 8. Centro Cultural São Paulo. RuaVergueiro, 1.000, tel. (11) 3277-3611.

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