Fellini e Giulietta, imperdíveis

Federico Fellini já havia recebido duas vezes o Oscar (por A Estrada da Vida e As Noites da Cabíria) quando fez A Trapaça. Foi seu último filme nos anos 50, precedendo a obra-prima A Doce Vida, que ganhou a palma de ouro em Cannes, 1960. Fellini ainda receberia três vezes o prêmio da Academia de Hollywood - dois Oscars de melhor filme estrangeiro (por Oito e Amacord), mais um de carreira. Grande Fellini. Grande Giulietta Masina. A mulher do diretor está em A Trapaça, que passa hoje, às 22 horas, no ciclo que lhe dedica o Eurochannel, da TVA.Mais do que com quaisquer outros filmes que Fellini tenha realizado antes, A Trapaça tem ligação com Boas Vidas e As Noites da Cabíria. É a história de um grupo de trapaceiros que viaja pelo interior da Itália, pelos arredores de Roma, praticando pequenos golpes. Há o que se disfarça de padre - com ecos da peregrinação da Cabíria faz ao santuário e antecipando o falso milagre de A Doce Vida.Giulietta é o assombro de sempre, criando outra personagem vulnerável que o marido e diretor criou para ela. Giulietta costuma ser comparada a Charles Chaplin. Seria uma Carlitos no feminino, carregando toda a humanidade do mundo. Mas cabe destacar a atuação de Broderick Crawford, que integra o elenco masculino com Franco Fabrizzi e Richard Basehart. Crawford é hoje um ator esquecido, ou pelo menos pouco lembrado. Ganhou o Oscar por A Grande Ilusão, de Robert Rosen, que não tem nada a ver com o clássico homônimo de Jean Renoir. A ele, ao trapaceiro que interpreta, devem-se alguns dos momentos mais intensos do filme.

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