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Felizes para (quase) sempre

Fernanda Torres e Andréa Beltrão falam sobre as novas confusões de Fátima e Sueli

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2012 | 03h08

Depois do "felizes para sempre", a luta contra a chatice da rotina - Tapas & Beijos, o seriado mais bem-sucedido da Globo no ano passado, inicia hoje à noite sua segunda temporada disposto a retratar os dilemas da vida após o casamento. E, claro, com muito bom humor. "É justamente a inadequação da história desses personagens que vai continuar trazendo a comédia do programa", comenta o diretor de núcleo Mauricio Farias.

Para quem não se lembra, a primeira temporada (cujos 12 primeiros episódios saíram agora em DVD) terminou com as amigas Sueli (Andréa Beltrão) e Fátima (Fernanda Torres) casando-se com Jorge (Fabio Assunção) e Armane (Vladimir Brichta), respectivamente. Agora, elas deixam o Méier, onde dividiam apartamento, para serem vizinhas em Copacabana. E o casamento, claro, vai mudar a amizade.

Fátima, por exemplo, passa a se preocupar em corresponder ao papel de esposa perfeita, apesar da falta de talento para isso. Já Sueli será obrigada a viver com Bia (Malu Rodrigues), filha do marido, e, de quebra, tem de encontrar constantemente seu ex, Jurandir (Érico Brás). Para completar, o casal que comanda a loja de vestidos de noivas onde as duas trabalham, Djalma (Otávio Muller) e Flavinha (Fernanda de Freitas), terá de lidar com a presença da mãe dela na vida a dois, e Chalita (Flávio Migliaccio) encontrará um grande amor.

"O ponto de partida do seriado são duas mulheres que têm autonomia e fazem escolhas. Os amores virão, mas não por dependência, e sim pela paixão por seus homens. O universo adulto, a liberdade e a possibilidade de escolha são retratados no programa", define o autor Cláudio Paiva sobre a segunda temporada de Tapas & Beijos. Ele conta que o projeto é antigo e sempre previu reunir Fernanda e Andréa - elas, aliás, já estiveram juntas no especial Programa Piloto, exibido pela Globo no fim de 2009.

A independência, ainda que frágil, continuará como uma marca especial de cada um dos personagens na fase que começa hoje. "O Jorge é um cara da noite, meio enrolado. Já a Sueli é acostumada a viver sozinha, e eles são independentes. Os dois se amam, mas são inviáveis, e o que os mantêm juntos é a vontade de se encaixarem, apesar de todos os defeitos", comenta Mauricio Farias.

Jorge, aliás, será mais vezes perseguido pelo Tijolo (Orã Figueiredo) - o mafioso que impõe respeito pela truculência transformou-se em personagem fixo. Em meio à gravação dos novos episódios, Andréa Beltrão e Fernanda Torres conseguiram uma folga para responder às mesmas perguntas formuladas pelo Estado. Veja o resultado a seguir.

Qual a principal qualidade e o principal defeito que uma vê no personagem da outra?

Fernanda Torres: Elas são parecidas na independência, na vida afetiva que se resolve no emprego. Elas não têm família e não dependem de ninguém para sobreviver, o que não quer dizer que não precisem dos outros. Sueli é um pouco mais humana, a Fátima é de um egoísmo atroz. Sueli, apesar da aparente sobriedade, é uma maluca de amarrar em poste: casa com o primeiro que aparece, dá em cima do farmacêutico, se apaixona por um dono de boate. A Fátima me lembra muito a Suzanita, amiga da Mafalda.

Andréa Beltrão: Acho que a Fátima e a Sueli são muito diferentes e bastante complementares. Talvez seja por isso que formam uma dupla tão perfeita.

O humor é uma questão de compreensão, identificação e gosto, tanto para quem vê, como para quem faz. Como você faz para acertar no alvo ao participar de uma cena de humor?

Fernanda: Tem que ser objetivo, limpo. Não dá para ficar sujando com "escuta aqui", "olha só". Trabalhamos com muitos planos e contraplanos, o gestual também tem que ser preciso por um problema de continuidade de movimento. Acho que a precisão é o principal requisito da comédia.

Andréa: Leio, ouço o que o diretor pede, observo o caminho que cada ator escolhe e tento me encaixar na música que a banda está tocando.

Sueli e Fátima buscavam o homem ideal, na primeira temporada da série. Agora que elas aparentemente o encontraram, qual deverá ser o principal desejo de cada uma?

Fernanda: Realizar o desejo. O insolúvel desejo. Deus não as protege do próprio desejo. Sueli descobre que casou com um homem amoroso, mas desastroso na vida econômica e que traz a reboque a filha, namorada atual de seu ex, Jurandir. Fátima, apesar de casada, não é a mãe dos filhos de Armane. Ele continua casado com a família, um drama tão comum hoje em dia, em que se casa e recasa. Os problemas legais também rondam a paz do casal, um advogado pilantra cuida dos interesses de Clotilde e inferniza o 'felizes para sempre' de Fátima.

Andréa: A separação!

Os problemas do casamento são mais inspiradores para piadas do que os da busca por um marido?

Fernanda: Todos são inspiradores. Faço um personagem cujo único tesouro é possuir um macho alfa que a ama. Junta ou separada, essa preocupação sempre a rondou, a ex-mulher dele também não desaparece. Fátima não tem talento para dona de casa, é uma amante profissional, tudo isso embola o relacionamento e inspira a comédia. O casamento torto de Sueli, com a enteada e o ex se atracando pela casa, além do marido omisso, todos vivendo de porta colada - tudo veio alimentar a confusão sentimental dos personagens.

Andréa: (Não respondeu)

Como é a reação do público (das mulheres, em especial) diante de seu personagem? Recebem conselhos?

Fernanda: É de muita identificação. Encontro com amigas que vêm dizer que se veem nas duas. O programa é sobre pessoas que resolvem a profissão e o afeto no mesmo lugar, é o caso de muita gente e acho que vem daí a identificação.

Andréa: O público se diverte, simpatiza com as duas amigas, e eu me divirto também. Se eu recebo conselhos? Sim, na dor e na saúde. E em briga de marido e mulher todo mundo mete a colher...

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