Felipe Hirsch volta ao palco do Teatro Municipal de SP

"É tanto talento, tantos gênios juntos, em uma época tão fascinante..." Felipe Hirsch não tinha como dizer não. Depois de encenar "Rigoletto", de Verdi, no ano passado, a ópera não estava necessariamente nos seus planos futuros. Mas a oportunidade de levar ao palco a dobradinha "Violanta", de Erich Korngold, e "Uma Tragédia Florentina", de Alexander von Zemlinsky, o coloca de volta ao palco do Teatro Municipal a partir desta sexta.

AE, Agência Estado

11 Outubro 2012 | 10h05

A época é a passagem do século 19 para o 20 - e o que a torna tão interessante é justamente o período de transição da arte romântica para a moderna, musicalmente simbolizada na música de autores como Korngold e Zemlinsky (que, aliás, criou sua ópera a partir do texto de outros dos "gênios", Oscar Wilde).

"Sou apaixonado por essa época e me sinto à vontade nesse universo, que já visitei em outros trabalhos", diz Hirsch. "É um período muito rico da nossa história e essas duas óperas a representam de modo genial. No fundo, as questões levantadas ali, um imenso psicologismo, o início da psicanálise, assim como a ruptura significada pela 2.ª Guerra - tudo isso ainda faz parte do nosso dia a dia, são questões atuais. A luz daquele momento, a treva que se seguiu, a tentativa de manter aquela luz viva. Tudo isso está nessas duas óperas."

Korngold, lembra Hirsch, experimentou em sua biografia as trevas. Nascido em 1897, foi considerado por Gustav Mahler "um gênio musical" e, no final dos anos 30, era um dos principais nomes da música alemã. A fama o levou a Hollywood - e por lá ficou quando a perseguição aos judeus ganhou força na Alemanha, jamais retornando a seu país.

Entre os professores de Korngold esteve Zemlinsky, que no fim dos anos 30 também se mudou para os Estados Unidos - onde, no entanto, ao contrário do ex-aluno, morreria esquecido, apesar do sucesso experimentado anos antes em Viena. Além da "Sinfonia Lírica", sua principal criação sinfônica, escreveu oito óperas - das quais "A Tragédia Florentina", estreada em 1917 e baseada na peça de mesmo nome de Oscar Wilde, foi o primeiro grande sucesso.

"Uma Tragédia" e "Violanta", com cerca de uma hora de duração cada uma, costumam aparecer juntas no palco, não apenas pela época comum que revelou os dois autores, como pela temática: as duas narrativas são ambientadas na Itália renascentista e ambos os enredos tratam de violência, amor e traição conjugal.

A direção musical será do maestro Luis Gustavo Petri, à frente da Orquestra Sinfônica Municipal e do Coral Lírico. O elenco é encabeçado por duas das principais sopranos do País: Eiko Senda ("Violanta") e Céline Imbert ("Tragédia Florentina"). Os cantores Rodrigo Esteves, Martin Muehle, Paulo Queiroz, Manuela Freua e Ednéia de Oliveira, entre outros, também atuam na obra de Korngold; na peça de Zemlinsky, Martin Muehle e Federico Sanguinetti dividem o palco com Céline. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

VIOLANTA E UMA TRAGÉDIA FLORENTINA

Teatro Municipal (Pça. Ramos de Azevedo, s/nº). Tel. 3397-0327. 6ª (12), sáb. (13), 3ª (16), 5ª (18) e sáb. (20), 20h; dom. (21), 17h. R$ 40/R$ 100. Até 21/10.

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