Feito em casa, no quintal

Não surpreendentemente, Santo de Casa, o terceiro disco de Rafael Alterio, tem cheiro de mato e luz de sol na relva matinal. As letras de sua mulher, Rita, evocam desde a mãe d"água às margens do Tapajós. A sonoridade é abrangente, desengasgada, uma soma dos esforços de bambas como o acordeonista Toninho Ferragutti, André Mehmari e das letras de Paulo Cesar Pinheiro, que criou palavras para duas canções do disco. "O álbum tem um lado batuqueiro bem bacana", conta o próprio. "Chamei um trio, chamado Manari, para tocar. Eles são da Amazônia. Fazem um registro da música regional. Vi eles fazendo um tipo de samba que chama-se curiaú. É coisa de escravo, de antes do samba virar samba"; na faixa em questão, chamada Banzé de Cuia, o suingue dos Manaris é de fato estonteante. "O lado erudito vem da minha orquestra pessoal", conta Rafael, referindo-se a André Mehmari, que toca piano em várias faixas, mas desta vez deixou os arranjo para o compositor. O energia "muderna" fica por conta das bases funkeadas criadas por Pedro Alterio e seu parceiro Dani Black.

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2011 | 00h00

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