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Os sexos vistos pela ciência, papo gordo de quarentena e freirinhas dançando cancã

Humberto Werneck, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2020 | 03h00

1. Um aspirador de inspiração

O tempo todo em busca de recheio para seus escritos, o cronista vive a recobrir cadernetas com anotações sobre tudo quanto seja assunto. Nos vagares da quarentena, ele franqueia aqui alguns garranchos ainda não utilizados:

a) Mulheres gostam de Porsche, mas não se casam com donos de Porsche, constatou o professor Timothy Beal. Suas pesquisas sugerem que produtos chamativos, como um Porsche, podem ter para um homem a mesma função que as penas grandes e brilhantes de um pavão. Mas as mulheres não se deixam enganar: “Quando consideram um relacionamento de longo prazo, ter um Porsche não significa nenhuma vantagem em relação ao possuidor de um carro comum”. 

b) Pesquisadores da Universidade de Iowa concluíram que nas populações de ascendência europeia os homens têm narizes em média 10% maiores que as mulheres. Por quê? Como os homens em geral têm mais massa muscular do que elas, precisam de narizes maiores para oxigenar esse plus. Os narizes já foram maiores, porque nossos ancestrais, como o homem de Neandertal, tinham mais massa muscular. Com a evolução, diminuiu a demanda por oxigênio. Tendo pesquisado 38 descendentes de europeus com idades de 3 a 20 anos, o professor Nathan Holton afirma: as diferenças entre os narizes masculinos e femininos começam a existir a partir dos 11.

c) Psicólogos descobriram que mulheres adultas com queixos proeminentes são sexualmente mais ativas do que aquelas com traços mais suaves. Queixo grande em mulher é normalmente associado a altos níveis de testosterona, hormônio masculino presente em todas as mulheres, em quantidades variáveis. 

d) O cérebro não processa do mesmo modo a imagem feminina e a masculina. Ele tende a ver a mulher mais por partes do que pelo conjunto, concluiu um estudo no European Journal of Social Psychology. A cada dia, mulheres comuns são reduzidas a aspectos de seu corpo, diz Sarah Gervais, psicóloga da Universidade de Nebraska. Só as comuns, pois supermodelos e estrelas de pornô não precisam preocupar-se com isso. Processamento global: identificar os objetos pelo todo, a preocupação não sendo o tamanho do nariz, e sim como ele funciona no conjunto que inclui também a boca e os olhos. Já o processamento local consiste em, digamos, reconhecer uma casa pela porta. 

e) Homens com cicatrizes são mais atraentes para mulheres que buscam relações de curta duração, descobriram pesquisadores da Universidade de Liverpool. Faz sentido: cicatriz sugere bravura e saúde.

f) Mulheres cheiram a cebola, homens, o queijo.

g) Mulheres gostam de homens difíceis.

h) Para atrair homens, mulheres devem usar roupa vermelha.

i) Homens estressados preferem mulheres de bunda grande. Simples: mais peso significa maior capacidade de sobreviver em tempos duros. 

*

2. Balança & balanço a várias vozes, no zap:

– Depois de meses de quarentena, pus relógio – e descobri que engordei no pulso!

– Nada, foi a pulseira que encolheu. Minhas roupas estão sofrendo da mesma síndrome.

– Fia, quando a gente engorda no pulso é porque a vaca já foi pro brejo!

– O relógio deve ter encolhido por falta de uso.

– ... ou então as horas é que não te servem mais...

– Eu tô engordando em lugares inimagináveis.

– E eu? Na boca! É impressionante a quantidade de comida que eu consigo colocar lá dentro.

– Engordei até no dedo. Os anéis não entram mais.

– A minha gordura está beeemmm distribuída...

– A gente engorda até no pé.

– Já pensou se você usasse tornozeleira eletrônica?

– O meu umbigo tá mais gordinho! Pulando pra fora! Mas tudo bem, quem emagreceu nessa quarentena é porque deprimiu.

– Sei lá, viu? Tem gente que come mais quando deprime...

– Eu já estava desesperada. Hoje pude ir pra academia e estou feliz por estar cuidando de mim.

– Tem academia pra pulso?

– Posso perguntar...

*

3. Para fechar, uma historinha de tempos melhores:

Bárbara não pode se queixar: foi ela quem teve a ideia de arrastar a mãe para um giro pela Europa, quando tudo o que a plácida senhora queria era ficar quieta no seu canto, saindo da toca apenas para a reza diária na igreja ali ao lado. Mas Bárbara insistiu, e agora lá estava em Copenhagen, sem saber o que fazer com Babita naquela cidade gelada onde nem missa em língua de gente se podia achar. De repente, caiu em cima de um anúncio que lhe pareceu salvador: uma peça teatral com tema religioso! Bárbara não lê dinamarquês, mas foi isso que concluiu ao ver na foto uma revoada de freiras, daquelas com chapelão de esvoaçantes abas laterais. Mas o que viu entrar no palco não foram noviças moderadamente rebeldes, como esperava, e sim um pelotão de moças espevitadas – e o mínimo que as criaturas fizeram foi levantar o hábito e sacudir as pernocas no mais profano cancã. Quando os seios começaram a saltar de seus habitáculos, Bárbara espiou de lado, constrangidíssima, e deu com a outra de rosto caído, mão direita em concha encobrindo os olhos.

– Tirando um cochilo, mãe?

– Não – murmurou Babita. – Adiantando o terço.

É JORNALISTA E ESCRITOR, AUTOR DE ‘O DESATINO DA RAPAZIADA’

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