Feira já nasce ousada

Com obras contemporâneas, ArtRio quer ser uma das maiores

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2011 | 00h00

Oitenta e três galerias, sendo metade estrangeira (dos Estados Unidos, América do Sul, Europa e até da Austrália), 700 artistas representados, muitos com trabalhos feitos exclusivamente para a ocasião, expectativa de vendas de R$ 100 milhões.

Os números da ArtRio - Feira Internacional de Arte Contemporânea - não parecem de uma primeira edição. A iniciativa, que se concretiza em dois armazéns do Pier Mauá entre os dias 8 e 11 de outubro, ganhou mais força há 17 dias, com a oficialização da isenção, por parte do Estado, do ICMS nos negócios da feira.

Isso significa que as obras vindas de fora não serão sobretaxadas, o que fará com que o preço final saia bem menor para o comprador. "São 40% de impostos que somem. Em Paris, são só 12%. Certamente as vendas serão maiores. Eu estava estimando R$ 50 milhões; com isso, espero o dobro", disse ontem, no lançamento da feira, Elisangela Valadares, uma das sócias da ArtRio, com Brenda Valansi Osório e Luiz Calainho - cuja entrada no projeto, "há quatro ou cinco meses", foi crucial, já que com ele vieram apoiadores.

Eles contam com o ambiente favorável à arte contemporânea, a valorização dos artistas brasileiros no mercado e o poder de atração da cidade-sede da Olimpíada de 2016 e de relevância para a Copa de 2014 para que a ArtRio chegue a ser "uma das cinco feiras mais importantes do mundo". Querem equipará-la à suíça Art Basel e à londrina Frieze. Galerias importantes como a parisiense Hussenot e a nova-iorquina Magnan Metz estão investindo em estandes, assim como as cariocas, paulistanas e mineiras,

Enquanto a SP Arte existe há sete anos, o Rio nunca teve sua feira. O que se espera é que o mercado dê conta das duas - uma em maio, com caráter mais regional (este ano foram 14 galerias estrangeiras, das 89), e outra em setembro, mais voltada para fora. "Temos que esperar para ver o resultado comercial, mas acho que o Rio tem um capacidade de atração de pessoas do exterior que São Paulo não tem", afirmou, otimista, o galerista Oscar Cruz, carioca radicado há 15 anos em São Paulo, que trará artistas cariocas pouco conhecidos no Rio.

"Claro que existe espaço para as duas feiras. O momento é privilegiado e tradição é algo que se cria", acredita o crítico Marcio Doctors. "O dinheiro está em São Paulo, mas as pessoas circulam. O colecionador não compra só uma vez por ano. Por ser no Rio, as pessoas querem vir", calcula a galerista local Juliana Cintra, que terá inéditos de Miguel Rio Branco, Nelson Leirner e Carlito Carvalhosa. Ela está de olho no "pink money" - o dinheiro dos colecionadores gays, que podem ser atraídos pelo aspecto "gay friendly" da cidade.

OBRAS À VENDA

Pablo Picasso

Alfredo Volpi

John Baldessari

Lygia Clark

Hélio Oiticica

Thomas Broomé

Nuno Ramos

Waltercio Caldas

Carlos Vergara

Nelson Leirner

Carlito Carvalhosa

Miguel Rio Branco

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