Feira em crise, mas Brasil comemora êxito

Ao contrário de brasileiros participantes, até ontem espanhóis não registravam vendas de destaque

CAMILA MOLINA / MADRI, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2012 | 03h07

A Arco Madri, a tradicional feira de arte contemporânea na capital espanhola, não é um evento de obras milionárias. Há o problema da crise econômica da zona do euro, em que Itália, Holanda, Bélgica, Grécia e Portugal estão em recessão. A Espanha passa por um de seus piores momentos e, obviamente, esse contexto se reflete na Arco. "As vendas estão lentas, compradores têm interesse pelas obras, mas dizem que vão pensar", afirma a galerista Juana de Aizpuru, das mais antigas de Madri. Ela diz que a Arco 2012 tem mais qualidade, entretanto, até ontem, não havia promovido uma venda de destaque em seu estande, onde as peças variam entre 6 mil e 150 mil. "Posso apenas dizer que o Centro Pompidou (de Paris) reservou uma obra de Mike Kelley. Antes, vendia direto", conta Juana, famosa por seus cabelos vermelhos.

A pintura de Francis Bacon, Study from the Human Body (1982), da galeria Marlborough, avaliada em US$ 15 milhões, também não teve compradores nos dois dias em que a Arco recebeu colecionadores e instituições. A própria Marlborough, que exibe ainda Boteros, destacou, entre as vendas, pinturas de Juan Genovés por 34 mil. Entre hoje e domingo, a feira se abre para o público que, na maioria, é de apenas visitantes.

A Arco passa, na verdade, por um momento de transição. Esta 31.ª edição, que traz a Holanda como convidada, marca o projeto de Carlos Urroz como diretor da feira. É sua segunda gestão da Arco, centrada em conter o número de galerias selecionadas. Vem se reduzindo, por exemplo, a entrada de participantes espanholas, cerca 40% das 215 expositoras da Arco 2012, abrigada no complexo Ifema (tema de polêmica por anos).

Mais ainda, Urroz vem destacando a arte latino-americana na seção Solo Projects Latinoamérica, que tem entre os curadores o brasileiro Cauê Alves. No segmento, obras de Lia Chaia, da Galeria Vermelho, foram vendidas, e a instalação de Rochelle Costi, da Luciana Brito Galeria, concorria ao prêmio Illy.

A Casa Triângulo, de São Paulo, também comemorava a passagem com êxito pela Arco. "Melhoraram muito a feira: vendemos para colecionadores da Inglaterra e dos EUA", diz Rodrigo Editore, diretor da galeria. A Triângulo, com obras que variam de US$ 3 mil a 80 mil, coloca como destaque a pintura de Eduardo Berliner. Agora, a galeria se prepara para, em maio, realizar mostra de Sandra Cinto na feira de Hong Kong, na Ásia, novo evento do mercado de arte.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.