Feira do Livro de Frankfurt promove discussões sobre política

Maior feira de livro do mundo é definida como 'feira de conteúdos' pelo diretor Jurgen Boos

Rodrigo Zuleta, da EFE

09 Outubro 2007 | 13h06

A Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo, foi definida nesta terça-feira, 9, como uma "feira de conteúdos" e plataforma de discussões culturais e políticas por seu diretor, Jurgen Boos, que disse que a digitalização é o grande desafio dos próximos anos para livreiros e editores.   A expressão "feira de conteúdos" utilizada por Boos na entrevista coletiva inaugural abrange, segundo o diretor, tanto o assunto político como o da digitalização.   "Qualifico conscientemente a feira como de conteúdos porque nesse conceito se reúnem dois aspectos importantes do mundo do livro e da Feira de Frankfurt: a digitalização do setor e o papel político do evento", afirmou.   Boos acrescentou que atualmente o livro é somente um dos portadores de conteúdos em tempos da publicação digital e ressaltou que o setor se ocupa agora também de outros meios, o que se vê refletido no evento em pavilhões dedicados a blogs e livros eletrônicos.   "O bem que comercializamos não é só cultural, mas também político. Por isso a cada ano na Feira do Livro buscam-se temas e tendências que tenham atualidade e relevância econômica", afirmou Boos, comentando a parte política.   O diretor comentou que o evento continuará dando espaço a questões como a alfabetização, o estímulo à leitura - que conta com uma seção especial desde 2006 -, a luta contra a censura e a perseguição de autores e editores.   Boos ressaltou que no Centro Internacional da Feira há vários atos com autores perseguidos e, em outra seção, discussões sobre a literatura e o mundo editorial na Turquia, China, Cuba e Irã, "todos os mercados nos quais a censura representa um problema".   Turquia e China, apesar de todos os problemas, serão nas próximas duas edições os países convidados, por isso as discussões este ano podem servir como antecipação do que virá.   Entre os autores que tiveram problemas com seus respectivos Governos e que participarão de atividades na feira está o cubano Carlos Aguilera, que atualmente vive exilado na Europa e dirigiu em Cuba uma revista de literatura dissidente.   Na apresentação, o diretor afirmou que a mostra continua em processo de crescimento e este ano haverá 7.448 expositores de 108 países que ocuparão uma área de 172 mil metros quadrados.   Um dos dados que mais chama a atenção é a maior presença asiática e, segundo números fornecidos por Boos, que a China tenha aumentado em 30% sua área de exposição.   As editoras britânicas e americanas também ocupam este ano mais espaço que em 2006. Já a participação da América Latina apresenta um crescimento lento, mas constante, de acordo com Boos.   A Feira do Livro de Frankfurt terá como convidada de honra a cultura catalã, mas a ausência de escritores catalães que escrevem em espanhol não foi comentada.   O presidente da Associação de Editores e Livreiros da Alemanha, Gottfried Honnefelder, afirmou estar satisfeito e otimista com o desenvolvimento do setor editorial, que na Alemanha teve crescimento de 4% este ano.   Estes dados confirmam uma tendência à recuperação observada nos últimos anos, após algumas dificuldades no início da década.

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