Kai Pfaffenbach/Reuters
Kai Pfaffenbach/Reuters

Feira do Livro de Frankfurt celebra seu retorno presencial

Edição deste ano acontece com público reduzido e encontros tanto presenciais quanto virtuais; visitantes terão que apresentar comprovante de vacinação

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2021 | 20h00

Depois de uma edição, no ano passado, marcada pela pandemia, com encontros notadamente virtuais, a Feira do Livro de Frankfurt, o maior evento do mercado editorial do mundo, abre sua 73.ª edição nesta quarta-feira, 20, estimulada pela resiliência dos livros durante a crise sanitária, mas ainda preocupada com a escassez de papel. 

“Mas ainda não será uma feira normal, que terá uma aparência diferente este ano do que conhecíamos no passado”, observou o diretor do evento, Jürgen Boos. “A volta aos negócios não significa que tudo está de volta à normalidade, mas é a oportunidade para que a indústria se reencontre.”

De fato, algumas restrições continuam, como o número diário de visitantes limitado a 25 mil, número duas vezes menor que o habitual, além da exigência de apresentação de comprovante de vacinação.

A feira, que vai até domingo, 24, receberá cerca de 2 mil expositores de 80 países - o Brasil manterá o seu estande coletivo, comandado pelo Brazilian Publishers, apenas no ambiente virtual. Haverá alguns destaques como a participação, pela primeira vez na feira, de editores de literatura infantil da Colômbia, do Uruguai, de Ruanda e do Casaquistão.

A pandemia terá ainda outra influência no evento, servindo como motivo para debates sobre “Como queremos viver”, que é um dos lemas desta edição e que motivou a criação de um projeto com o canal alemão Arte: em um barco que cruzava as águas do Rio Meno, oito personalidades ligadas ao mundo dos livros e que não se conheciam se encontraram e foram convidadas a discutir o assunto, sem moderador, mas com a presença de câmeras que gravavam a conversa. Disso, resultou um documentário com os momentos mais relevantes das discussões.

O filme foi apresentado aos jornalistas na coletiva de imprensa sobre a feira e levantou a questão da presença de vários editores de extrema direita. O assunto ganhou relevância graças à desistência da escritora Jasmina Kuhnke de participar do evento, no qual apresentaria seu novo romance, Coração Negro

O motivo é que o fato aconteceria em um palco próximo de várias editoras direitistas. “É de se temer que, além dos editores e alguns autores, outros ultradireitistas visitem a Feira, o que deixa claro que existe um perigo para mim. Também parece inaceitável que os nazistas tenham um espaço para se apresentar”, comentou Kunhnke, que recebeu ameaças de grupos extremistas em sua conta no Twitter.

Durante a coletiva, um participante do projeto do Arte, Raoul Krauthausen, se solidarizou com atitudes como essa. Em resposta, Jürgen Boos respondeu que “liberdade de opinião e publicação é um dos valores mais importantes para o mundo editorial”.

O Canadá, país convidado deste ano, estará presente com 70 editoras e 60 escritores, dos quais oito presencialmente. A mais badalada, Margaret Atwood, vai falar por vídeo. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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