Feira de livros reúne 58 editoras no Rio

Uma característica da bienal do livro, que ocorre alternadamente entre São Paulo e Rio de Janeiro, vinha incomodando uma parcela dos editores participantes: o aumento de eventos paralelos (como shows comandados por DJs e palhaços lotando os corredores), que desviam a atenção dos visitantes. Tamanha festividade começou a afastar os leitores interessados nas novidades literárias, além de criar uma divisão entre editoras consideradas grandes e as médias e pequenas na divisão de espaço. Esses fatores convenceram 58 editoras a se reunirem e organizarem a Primavera de Livros, feira que vai ocorrer do dia 19 ao 21, no Jockey ClubBrasileiro, no Rio."O personagem principal da feira será o livro", comenta Cláudia Pinheiro, da editora Hedra. "Vamos promover encontros, mesas-redondas e debates, sem nunca desviar a atenção do público do produto que realmente interessa." A Hedra é uma das 58 editoras cujos catálogos distanciam-se de certas facilidades mercadológicas. Assim como as demais participantes da mostra, sente a necessidade de trazer a público a totalidade de seu catálogo, o que nem sempre é possível nas tradicionais bienais, seja pelo gigantismo desses eventos, seja pela forma com que é feita a distribuição das editoras no local de exposição.A organização da Primavera de Livros começou logo depois de encerrada a bienal do Rio, em maio - apesar dos diferentes perfis, todas as editoras seguem caminhos semelhantes na busca da conciliação entre sobrevivência econômica e seriedade no trato com a cultura. "Somos um grupo até homogêneo ao estipular um critério na linha editorial", comenta Luciana Figueiredo, da Editora Casa da Palavra. "E, no fim de semana da nossa mostra, cada um poderá apresentar tranquilamente seus autores para o público."Apesar de o descontentamento ser evidente, os participantes da Primavera de Livros não querem transformar o evento em um desagravo contra as grandes editoras, que habitualmente conseguem os melhores e maiores espaços nasbienais. "Na verdade, é uma oportunidade rara de cada um apresentar aos leitores os livros que constituem o caráter de sua editora", afirma Cláudia.Graças ao apoio da prefeitura do Rio de Janeiro e da RioArte, que não só aceitaram financiar o evento como também colocá-lo no calendário cultural da cidade, os organizadores puderam preparar a feira. A confirmação da realização do evento veio com a adesão da Bradesco Seguros, Gráfica Donnelley e Jockey Club do Rio de Janeiro. A mostra estará dividida emquatro espaços: a lona principal, onde ficarão as 58 editoras; o espaço infantil, área acarpetada em que os livros ficarão à disposição; a arena shakespeariana, tablado onde serão realizadas leituras e mesas-redondas; e o espaço profissional, destinado a encontros entre livreiros, editores e autores.Varal - As crianças receberão uma atenção especial: terão à disposição todos os títulos infantis lançados pelas editoras, uma imensa biblioteca onde elas poderão folhear e ler sem pressa. Além disso, haverá a presença de contadores de história e oficina de reciclagem de papel, entre outras atividades. Depois de lerem os livros, as crianças serão estimuladas a criar desenhos a partir da leitura - os desenhos serão pendurados num imenso varal formando a "Parede Literária".O evento começa na sexta-feira, com um fórum fechado para profissionais do mercado editorial. Serão discutidas questões relacionadas à política de aquisição de livros pelo governo, à produção, distribuição e à formação de cooperativas e associações de pequenas e médias editoras. "Assuntos que nospreocupam durante todo o ano", comenta Cláudia.O público terá acesso no sábado e no domingo, entre 10 h e 22 h. O ingresso custará R$ 2 - a renda líquida será usada na compra de livros das 58 editoras participantes, que serão doados para bibliotecas municipais. Haverá descontos de 20% a 40% sobre o preço das obras. E está programada uma série de encontros e debates, a partir das 11 horas do sábado. Em homenagem ao evento o Jockey Club programou um páreo com o título de Primavera dosLivros, que será disputado no domingo.O interesse dos patrocinadores é tamanho que, mesmo antes da abertura, a feira poderá constar no calendário cultural do Rio de Janeiro nos próximos três anos. E os organizadores já pensam em negociar a realização do evento em São Paulo - logo deveram entrar em contato com representantes da Prefeitura. "Não temos nada contra a realização da Bienal, que consideramosimportante e da qual deveremos continuar participando", assegura Cláudia. "Só queremos ter um espaço nosso."

Agencia Estado,

12 de outubro de 2001 | 17h07

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