Feira de Frankfurt abre sem pompa

Amanhã à noite, a Feira de Frankfurt, o mais importante encontro de compra e venda de direitos autorais, vai começar de olho no impacto do terrorismo, do ataque norte-americano ao Afeganistão e da crise econômica mundial no mercado de livros. Além do reforço na segurança (foi estabelecido um comitê especial, mas a agenda oficial de quarta-feira até o dia 15 está, por enquanto, mantida), espera-se uma redução no número de presentes e mais atenção para os temas que dominam o noticiário mundial do que para o país convidado de honra, a Grécia.Segundo a revista Publishers Weekly, várias empresas cancelaram eventos tradicionais. A Time Warner, por exemplo, decidiu não promover um coquetel privado de abertura, "em respeito às vítimas do atentado", e a Simon & Schuster não promoverá uma festa em Londres ao fim da feira, como vinha fazendo nos últimos anos."A última informação que obtive é a de que apenas 30 empresas deixarão de ir em função dos atentados; claro que o staff de algumas editoras americanas deverá ser menor", disse Jonny Wolf, vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro, que participa, com a Biblioteca Nacional e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, do estande brasileiro."Acho que haverá uma retração dos negócios dos brasileiros de compra de direitos pela alta do dólar; o mercado internacional para os autores brasileiros talvez não sofra tanto pois já é pequeno e não movimenta valores muito altos", avalia Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras. Na sua opinião, os atentados de 11 de setembro e os ataques desta semana afetam o mercado editorial, "porque não estamos imunes às crises globais", mas de modo ambíguo. Angel Bojadsen, da Estação Liberdade, acredita que o mercado deve encontrar alternativas para reverter a crise, com obras ligadas a temas como Afeganistão, Taleban, Bin Laden, Islã, história dos povos árabes orientalismo e fundamentalismo.Para Luiz Eugenio Vescio, da editora universitária Edusc a perspectiva é um pouco pior. "No Brasil e mais especialmente em nosso segmento, vamos ter de acertar bem as contas, verificar com muita atenção os investimentos em livros novos, principalmente de traduções. Espero conversar em Frankfurt com nossos parceiros brasileiros e do mundo e ver como podemos tornar o mais suportável possível esse tempo difícil que se avizinha."Na opinião de Breno Lerner, da Melhoramentos, o mercado brasileiro terá menos problemas que o de outras partes do mundo. "Neste momento específico , um crash da Argentina nos abalaria muito mais que esta situação mundial." Ele, no entanto, teme pela ausência de muitos editores norte-americanos, o que reduziria as possibilidades de vendas de direitos da Melhoramentos para outros países.

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