Feira de Arte de Frankfurt homenageia o Brasil

Compre arte! Com este bordão, dizendo exatamente a que veio, a feira de arte de Frankfurt, que abriu sua 15.ª edição na sexta-feira e prossegue até 1.º de maio, homenageia o Brasil, por meio da sua capital, Brasília. A Artfrankfurt, cujo lema internacional é Buy Art!, apresenta como destaque deste ano a mostra Eixo Brasília, centrada na produção atual de vídeo e fotografia da cidade, exposição concebida e montada por Tereza de Arruda, curadora paulistana radicada em Berlim. A participação nacional não se resume a essa coletiva - que é parte do programa Curator´s Choice, cujas edições anteriores estiveram centradas em Los Angeles e Moscou -, mas se estende às mostras das Galerias Thomas Cohn e Gravura Brasileira e ao convite feito a Cildo Meireles para levar um de seus trabalhos à cidade alemã. Em Eixo Brasília, a curadora Tereza de Arruda optou por uma abordagem geográfica, na tentativa de apresentar, a europeus e brasileiros, uma visão menos "viciada" sobre a capital, quase sempre ligada à fase heróica da arquitetura moderna. "Brasília foi inaugurada há mais de 40 anos e até hoje pouco se sabe no mundo sobre seu cotidiano, invariavelmente à sombra do monumento arquitetônico que representa", diz Tereza. "Já são praticamente duas gerações de artistas brasilienses, além de imigrantes que vivem na capital desde sua concepção, contudo desconhecemos por completo a produção contemporânea da capital. Mas ela existe e foi desenvolvida, no início, por artistas provenientes de outras regiões do País, o que contribui para seu caráter único no que diz respeito às questões do deslocamento e desterritorialização." Desse caldo surge uma visão singular sobre Brasília, às vezes amarga e desesperançada, espécie de viés no sonho utópico modernista planejado por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. O trabalho de Clarissa Borges na Artfrankfurt, Turista Censurado, é emblemático dessa visão: ela interfere em fotografias de algumas áreas célebres da cidade, como a Praça dos Três Poderes e o Palácio do Planalto, inserindo tarjas negras que prejudicam a visão e criam ruídos nesses cartões-postais tantas vezes reiterados - além de simbolizar a idéia de luto por uma promessa não cumprida. A miséria das cidades-satélites, como Samambaia e Ceilândia, é lembrada em Ermos Urbanos, vídeo de Elyeser Szturm, que trabalha com os insólitos espaços de Brasília em contraste com a miséria e desolação que assombram o centro do poder. Eixo Brasília exibe ainda criações recentes de Marta Penner, Ana Miguel, Ge Orthof, Ralph Ghere, Milton Marques, Joaquim Paiva, Karina Dias e Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos, entre outros nomes radicados na capital. A galeria paulistana Thomas Cohn leva a Frankfurt a coletiva Brazilian Painting - Vintage 2003, que reúne os principais artistas de seu jovem staff de pintores, como Rodrigo Cunha, Fabio Faria, André Gomes, Gilvan Nunes, Thales Pereira e Oscar Oiwa. A galeria está completando 20 anos, com dedicação à pintura contemporânea, e Thomas Cohn aproveita a efeméride para desabafar. "Dez anos sem pintura é muito tempo. Desde o ano passado, tenho visitado muitas feiras no exterior e só se vê pintura. Quando a pintura morrer, será sem aviso", diz ele, referindo-se ao predomínio do vídeo e da fotografia na década passada. Na coletiva montada pela Galeria Gravura Brasileira, o público da feira tem a oportunidade de conhecer amplo panorama da história do gênero no País, desde os veteranos Evandro Carlos Jardim, Cláudio Mubarac, Regina Silveira e Marco Buti, até nomes surgidos mais recentemente no cenário da gravura nacional, caso de Laerte Ramos, Ana Elisa Dias Batista e Arnaldo Battaglini.Leia mais

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