Feira da Vila: dia de festa na Vila Madalena

Domingo é dia de descanso para a família de Carmen Pinto Marques. Dia de ficar em casa, curtir os netos, brincar com os cachorros e, principalmente, baixar as portas da quitanda localizada na Rua Fradique Coutinho. Hoje, porém, excepcionalmente, ela vai passar a tarde trabalhando em seu pequeno estabelecimento. "Vou abrir para aproveitar o movimento da Feira da Vila Madalena", conta, sorridente, a senhora que mora no bairro há 56 anos. "Isso aqui vira uma festa, as ruas ficam tão lotadas que depois das 11 da manhã é difícil até andar a pé." Com o tema Sampa, 450 vezes mais, a 26ª edição da Feira da Vila terá 600 barraquinhas de artesanato e comidas típicas, cinco palcos onde se apresentarão mais de 30 artistas, participação de 25 ONGs - entre as quais o Greenpeace e a SOS Mata Atlântica -, além das tradicionais intervenções urbanas como grupos de teatro de folclore. Aos 76 anos, dona de uma memória invejável, Carmen fala dos tempos em que a ´Vila´ - como é carinhosamente chamada a região que nasceu da partilha de um terreno de propriedade de um imigrante português - nem de longe lembrava as noites boêmias pelas quais ficou conhecida. "Antigamente as ruas eram de barro, a água de poço e trilhos do bonde passavam embaixo de onde hoje é asfalto." Tempos em que os moradores criavam galinhas nas ruas e tinham pequenas hortas. "Era tanta plantação que os bêbados chamavam o bairro de Vila Mandioca." Hoje, cerca de 200 mil pessoas passarão pela 26ª Feira da Vila Madalena. Mas é certo que os orgulhosos moradores vão conferir a festa que se foram entre as ruas Fradique Coutinho, Wisard e Mourato Coelho. Mas a quitanda de Carmen só voltará a abrir as portas na próxima edição da Feira: um domingo que só chegará no ano que vem. Feira da Vila - Hoje, das 11h às 22h. Grátis. Entre as ruas Fradique Coutinho, Mourato Coelho e Felipe de Alcaçova, Vila Madalena.

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