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Federal tenta construir o herói brasileiro

Há cerca de um mês, Michael Madsen esteve no Brasil para lançar Federal no Festival do Rio. Sua referência em termos de cinemas brasileiro era City of God - Cidade de Deus -, de Fernando Meirelles, e ele estava entusiasmado com a possibilidade de conhecer um pouco mais do País, na capital que é o centro do poder, Brasília. O papel não é muito lisonjeiro, um gringo que vem colaborar com a Polícia Federal no combate ao tráfico e vira, ele próprio, traficante. Madsen não o encarou como um vilão. "É um homem ???no meio, cheio de contradições."

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

Federal foi filmado ao mesmo tempo que Tropa de Elite (o 1). Sem verba para finalização, o projeto dos irmãos De Castro (Erik e Christian) arrastou-se todo este tempo e, coincidentemente, chega aos cinemas na rabeira do sucesso de Tropa 2. O filme de José Padilha com Wagner Moura na pele do agora Coronel Nascimento virou um fenômeno - e, com mais de 6 milhões de espectadores, transformou-se no filme nacional mais visto da Retomada. Ainda no Rio, antes do lançamento de Tropa 2, Erik de Castro dizia esperar que o filme de Padilha arrebentasse e que o dele se beneficiasse dessa nova luz sobre o cinema brasileiro.

 

 

 

 

Trailer trailerAssista a trechos de Federal

 

 

 

Erik estudou cinema nos EUA. Com o irmão, fundou a BSB Cinema Produções. Ambos produziram o documentário A Cobra Fumou, de Vinicius Reis, sobre a participação da Força Expedicionária Brasileira, a FEB, na guerra, na Itália. O próprio Erik fez depois Senta a Pua!, sobre a participação do primeiro grupo de aviação de caça brasileiro na 2.ª Guerra. Nenhum dos dois fez muito sucesso de crítica, mas Federal agora talvez esclareça melhor o projeto dos irmãos Castro. Eles estão querendo fazer um cinema à americana, de ação. Querem construir o herói brasileiro, seja o piloto da FEB ou o agente da PF. "O herói, sim, mas com uma preocupação ética", destaca o diretor.

Num país em que a corrupção e a impunidade são ligadas à coisa pública, Erik constrói essa figura de policial tão sólida que seu nome é Vital. Interpretado por Carlos Alberto Riccelli, o herói forma um grupo de elite na PF. O "gringo" e seu sócio brasileiro vão arranjar um jeito de se infiltrar lá dentro. Mesmo com sacrifício de vidas, a elite dessa tropa vai se consolidar. Talvez seja interessante comparar Federal com Tropa de Elite 2, e é o que o público, muito provavelmente, vai fazer. O filme de Padilha é melhor e mais abrangente, mas existem aspectos interessantes a considerar.

Padilha termina Tropa 2 com um voo sobre Brasília para reforçar a crítica ao "sistema" feita por Nascimento. Erik de Castro é de Brasília. Explica por que escolheu a chamada "capital do pó" - "Brasília é hoje uma das cidades em que mais cresce o consumo de drogas. O negócio é pesado", diz o diretor, que começou a escrever o roteiro de Federal há mais de 20 anos.

Cenas calientes. Selecionado pelo laboratório do Sundance Institute, isso lhe permitiu atrair investidores internacionais como a EuropaCorp de Luc Besson (de quem estreia hoje As Múmias do Faraó). As cenas de perseguição policial contaram com a experiência do especialista de Hollywood, Allen Hall. No elenco, além de Michael Madsen, está a colombiana Carolina Gómez, com quem Selton Mello protagoniza algumas cenas calientes. É o mais inesperado de Federal - Selton no papel de tira durão e com uma pegada viril na cena de sexo. O público é capaz de gostar. Os críticos, com razão, vão achar que Federal banaliza o que é explosivo em Tropa 2.

FEDERAL

Direção: Erik de Castro. Gênero: Ação (Brasil/2010, 92 minutos). Censura: 16 anos.

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