Reprodução Facebook
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'Fechado com Bolsonaro', Mário Frias, ator de 'Malhação', é cotado para a Secretaria da Cultura

Aos 48 anos, o ator Mário Frias pode ficar com o posto vago com a demissão de Regina Duarte

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

20 de maio de 2020 | 14h01

O ator Mário Frias, cotado para ser o novo secretário Especial da Cultura do governo de Jair Bolsonaro no lugar de Regina Duarte, demitida nesta quarta-feira, 20, chegou a parabenizar a atriz em janeiro, dizendo que esperava que ela pudesse “exercer sua função com tranquilidade e equilíbrio”. Ele disse ainda que acreditava que os dois pudessem “discutir, debater e discordar com respeito e empatia”, tirando o melhor, e não o pior, de si. Frias foi um dos poucos artistas que compareceram à posse de Regina Duarte, em março.

No início de maio, já durante o processo de “fritura” da então secretária da Cultura, Mário Frias participou de uma entrevista na CNN em que reafirmou seu apoio ao presidente Jair Bolsonaro. "Pro Jair, cara, o que ele precisar eu tô aqui. Eu torço demais pra Regina, eu sou fã dela, mas pelo Brasil eu tô aqui, o que for preciso. Respeito o Jair demais, vejo o Brasil com chance de finalmente ser respeitado", disse o ator. O vídeo foi compartilhado por Bolsonaro nesta terça, 19, com o título: Mário Frias e a cultura.

O carioca Mário Frias, de 48 anos, ficou conhecido nos anos 1990 como o galã do seriado adolescente Malhação entre 1997 e 1998, da Rede Globo. Antes disso, ele tinha participado de outro seriado juvenil, o Caça Talentos. Ele atuou ainda em Meu Bem Querer, O Beijo do Vampiro, O Quinto dos Infernos, Senhora do Destino e Verão 90, entre outras novelas. Na Band, fez Floribella. Na Record, Os Mutantes e A Terra Prometida. Mário Frias é também apresentador, e esteve à frente de programas como Tô de Férias, no SBT, e Super Bull Brasil, na RedeTV!

O ator tem sido atuante nas redes sociais, onde compartilha seu posicionamento político alinhado ao do Governo e pouco fala sobre cultura.

Em seu perfil @mfriasoficial, ele usa a hashtag #fechadocombolsonaro, defende o uso da cloroquina no tratamento do coronavírus, ao retuitar postagem de Sérgio Camargo, o polêmico presidente da Fundação Palmares, chama o presidente da Câmara Rodrigo Maia de golpista e retuita posts do cantor Roger e do jornalista e escritor Guilherme Fiúza (criticando o Governo de São Paulo e Sérgio Moro). Até a publicação dessa matéria, ele tinha 462 seguidores. 

É mais popular no Instagram, onde tem 219 mil seguidores, e no Facebook, onde tem dois perfis parecidos - um deles, o ‘oficial’, com 21 mil seguidores. 

Nessas duas redes, ele posta fotos dos filhos e divulga as lives que tem participado para discutir o Brasil, comentar “o caos instaurado em nome do covid-19 e que agora mais que nunca se revela mais um plano sórdido pra lavar dinheiro público” e também para comentar as manifestações que parte da população está fazendo em apoio ao Governo durante o período que deveria ser de isolamento social. E, ao mesmo tempo em que diz #fiqueemcasa, comenta os efeitos econômicos desse isolamento.

O ator aproveita para dizer que o governador do Rio, Witzel, “vai ver o sol nascer quadrado”, ao compartilhar notícia sobre fraude na compra de respiradores, e para alfinetar Lula: “O presidente do Peru tá preso por 18 anos por ter recebido propina da Odebrecht. O daqui está solto tomando cachaça e falando merda”.

No início de maio, quando Bolsonaro disse que esperava não ter problemas naquela semana porque tinha chegado no limite, e que as Forças Armadas estavam do seu lado, Mário Frias escreveu: ‘Pra bom entendedor meia palavra basta’.

 

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