Fazendo as contas

Sem verbas do MinC, Bienal de São Paulo tenta arrecadar novos recursos

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2011 | 00h00

Com os cortes do orçamento do Ministério da Cultura (MinC), a Fundação Bienal de São Paulo deixou de receber este ano verbas diretas do governo federal e o mesmo deve ocorrer em 2012, afetando as finanças e projetos da instituição. "Nos últimos dois anos, entre 2009 e 2010, foram R$ 7 milhões repassados pelo ministério e estamos falando de recursos diretos. Isso abre um buraco grande em nosso orçamento, fazemos menos coisas", diz Heitor Martins, presidente da Bienal de São Paulo. Uma delas, por exemplo, é a reforma do prédio da instituição, no Ibirapuera.

"Estamos tentando viabilizar a segunda etapa da reforma com parceria de empresas e do BNDES, por meio de incentivos da Lei Rouanet. Seria algo em torno de R$ 6 a 7 milhões, mas não sei se vai ser possível", afirma Martins. Segundo ele, estariam previstas intervenções no piso e na fachada do edifício, projetado por Oscar Niemeyer, e a construção de banheiros no terceiro andar. Uma etapa futura estaria destinada à climatização de todo o pavilhão da Bienal, o que o tornaria mais adequado para abrigar obras de arte.

Além da incerteza de recursos para a modernização do edifício, falta ainda última autorização dos órgãos de patrimônio para a intervenção no prédio, tombado. A primeira etapa de reforma teve contribuição do MinC.

Outro problema é o rombo deixado no imbróglio da representação brasileira deste ano na 54.ª Bienal de Veneza, que apresenta instalação do artista Artur Barrio. A Funarte patrocinaria com R$ 400 mil a realização da mostra e do catálogo de Barrio, preparados pela Bienal de São Paulo, mas depositou, até o momento, apenas R$ 300 mil para a instituição. Martins disse que mais do montante foi utilizado.

Jantar. Este ano, por meio de recursos da Lei Rouanet, a fundação vai exibir em seu pavilhão, entre 30 de setembro e 4 de dezembro, grande mostra com obras do museu Astrup Fearnley de Oslo (falta captação para o educativo). Prepara também, para 2012, a 30.ª Bienal.

"Estamos nos esforçando para viabilizar os planos em outras frentes", diz Martins, lembrando que a Fundação Bienal de São Paulo, instituição privada sem fins lucrativos, tem contado com apoio de empresas e da Prefeitura de São Paulo (proprietária do edifício e que reserva verba anual para sua manutenção). "Em ano de Bienal (mostra da instituição), precisamos de R$ 30 milhões; nos outros, são aproximadamente R$ 17 milhões."

Para amenizar os problemas, a instituição está lançando programa de ajuda de recursos por meio de pessoas físicas. A Bienal vai realizar um jantar no dia 20 de setembro, com ingressos a R$ 5 mil. "Já temos 250 vendidos", afirma. Em 2009, quando assumiu a instituição em crise, a diretoria promoveu evento nos mesmos moldes e arrecadou cerca de R$ 1,1 milhão para a Bienal.

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