Favela aprova Nicolau

Sessão no Vidigal com garoto de Sempé foi emocionante

Luiz Carlos Merten / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2010 | 00h00

Amigos. Emoção e risos

 

Quando garoto, Laurent Tirard queria ser como o avô. Aos domingos, durante os almoços de família, o velho senhor monopolizava a atenção de todos contando histórias. Foi o que Tirard sempre quis ser - um contador de histórias. Virou diretor de cinema. Tirard esteve no Brasil, na semana passada, integrando a delegação francesa que veio ao País para o Festival Varilux de Cinema Francês. Trouxe seu novo filme, O Pequeno Nicolas, com o personagem de René Goscinny e Sempé.

Na sexta-feira, Tirard viveu o que admite ter sido uma de suas maiores emoções. Ele foi mostrar O Pequeno Nicolas na favela do Vidigal, para a comunidade. As crianças do morro adoraram. "Foi maravilhoso. Crianças de um outro país, outra cultura, outro segmento social. E elas riram e se emocionaram nas mesmas cenas que o público francês. Acho que a universalidade do cinema é isso", disse o diretor, numa entrevista realizada sábado.

A ideia do filme veio do produtor. Laurent Tirard diz que não precisou pensar muito para aceitar a encomenda. "Desde pequeno, sempre gostei muito de Nicolas. Achava que eu era ele e sua família era a minha." A mãe, interpretada por Valérie Lemercier, é a própria mãe do diretor. "Inspirei-me no seu cuidado com a família, na sua preocupação pequeno-burguesa com o que os outros vão pensar. Mas não lhe conte. Ela não percebeu, ou fingiu não perceber", diz.

Sempé não quis se envolver no projeto, para não se decepcionar. Afinal, são mídias diversas. Mas ele viu o filme e enviou um recado ao diretor. "Você pode achar uma opinião ambivalente, mas saiu muito melhor do que eu temia." Grande parte da empatia vem do garoto que faz o papel, Maxime Godart. Tirard escolheu-o de cara, mas seguiu com os testes, encontrando-se com centenas de meninos. "Queria ter certeza e isso também ajudou a encontrar os colegas de Nicolas."

Maxime sofre de asma e, por isso, as cenas com o garoto foram as mais difíceis. "Gostaria de tê-lo trazido, mas é complicado. É preciso desinfetar ambientes e objetos para que ele não tenha crises agudas." No começo, Nicolas não sabe o que quer da vida. No final, descobre que quer fazer as pessoas rirem. Como Gustave Flaubert, falando de Madame Bovary, Laurent Tirard pode dizer - "O Pequeno Nicolas sou eu". O filme fez mais de 5 milhões de espectadores na França. Passa hoje no Festival Varilux e estreia em julho, nas férias, no Brasil.

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