Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Fause Haten

Paulistano, filho de libaneses, dos mais prestigiados estilistas brasileiros, ele é também ator, cantor e lança seu primeiro cd, CDFH, com show na quarta-feira

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2011 | 00h00

Você é estilista, figurinista, ator, cantor, prepara um show e também um livro. Nunca temeu que você talvez não tivesse foco?

Temi. Mas hoje isso não me preocupa. Adoro fazer várias coisas ao mesmo tempo. Sempre brinco que queria vender ideias. Porque não me faltam e não consigo fazer todas. Não tenho ócio criativo. Tenho efervescência criativa. E cada uma das minhas atividades completa a outra.

Mas você não teme críticas?

Não mais. Pensava diferente, mas outro dia ouvi uma palestra de uma pesquisadora chamada Brené Brown. Fiquei encantado. Ela fala do poder da vulnerabilidade, diz que o mais importante para o ser humano é a conexão. E nosso grande medo é a falta de conexão, o que resume um pouco nossos medos. Ela fala da questão da nossa dificuldade de se colocar no lugar da vulnerabilidade. A maioria tem esse medo. E as reações contrárias têm a ver com isso. Há as que se colocam nesse lugar. E há as que não. As pessoas que não fazem patrulham as que não fazem.

A ideia do CD, o CDFH, veio da vontade de fazer?

Sempre fui muito musical. Na infância estudei piano durante sete anos. Mas tudo começou quando fui fazer teatro no Célia Helena e lá estudei canto lírico. Me formei em 2006 e três anos depois, quando lançava uma coleção, pedi ao DJ Zé Pedro um crooner para o desfile. E ele perguntou: "Por que não canta você?" E cantei! E tenho me dedicado à música desde então.

E montou uma banda em 2010.

Comecei minha parceria com o André Cortada, que produziu o CD, que também compôs as letras comigo, que encorajou a transformar ideias e experiências muito pessoais em canções que não seguem nenhuma linguagem específica. São superlivres. Claro, há o jazz, por que sou apaixonado, há a Bahia que não sai de mim, há o piano...

Mais uma vez, reflexo de você.

Sim. Uma coisa puxa a outra e nos encaminha. No meu último desfile, que foi muito performático, criei a coleção, dirigi, escrevi o texto, fiz a iluminação... No Célia Helena, o Ruy Cortez foi o meu mestre. E ele sempre dizia que eu devia pesquisar performance. E tinha razão. Na época do último desfile, ele estava na Rússia, e mandei o vídeo para ele dizendo: "Fiz minha primeira performance".

QUEM

Fause Haten

Estudou piano na infância e começou na moda criando camisetas. Apresenta-se quarta-feira no Studio SP (Rua Augusta, 591, às 20 horas)

O QUÊ

Risotto de cogumentos

Fause é fã de risottos e escolheu o seu com arroz integral, cogumelos, tomate, amêndoas torradas, brócolis e creme de queijo de cabra.

ONDE

Lorena, 1989

O estilista escolheu o Lorena (Alameda Lorena, 1.989) para almoçar e contar que também prepara um livro com canções do CD e textos de sua autoria.

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