Fátima Toledo

Ela criou o método, com o qual preparou atores de filmes como cidade de deus e tropa de elite. Hoje, é tema de livro e admite: ''o método está mais suave e forte''

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2010 | 00h00

Seu primeiro trabalho no cinema foi Pixote (1981). Depois, ganhou fama com Cidade de Deus e Tropa de Elite. O que mudou?

Tanta coisa. Já fui muito criticada pelo Método, um processo duro para o ator. Mas hoje ele está mais suave e forte. Tem a ver com minha maturidade.

Como você definiria o Método?

É a preparação para cinema que desenvolvi. Não havia o Método em Pixote. Ficava desesperada porque as técnicas que aplicava não funcionavam com os meninos. Mas aprendi a me colocar no lugar deles, a comunicar, tirar os bloqueios. Assim nasceu o Método.

Por que fez tanto sucesso, a ponto de você criar uma escola?

A força está no fato de o aluno ter de se conhecer melhor, vencer a timidez. Não há construção do personagem mas desconstrução. Vive-se cada cena por inteiro.

E quem faz o curso em geral?

Atores. Há quem faça porque o Método vai fazer bem. No Rio, os alunos costumam ser mais jovens que em São Paulo.

Não procuram no Método o que buscariam na psicanálise?

Quando aparece algum caso assim, a gente encaminha. Antes, eu perguntava "se" o aluno tomava antidepressivo. Hoje, o número de quem toma remédios é tão grande que pergunto "qual". Acho que se está fazendo uso cada vez mais cedo.

Você já se perguntou por quê?

Estão todos assustados. E isso nos deixa à flor da pele. Antes, precisava muito para que os alunos se despissem de seus filtros. Hoje, por muito pouco elas choram. Há muito medo.

Medo do quê?

Os mais jovens têm muito medo do fracasso. Querem ser famosos, fazer sucesso.

Você também vence seus medos no curso?

Claro! É sempre um desafio. E estou lidando com outros medos em novos trabalhos.

Quais?

Comecei a preparar o elenco de Paraísos Artificiais, de Marcos Prado, sobree um universo que quero conhecer melhor, o uso de drogas ilícitas pelos jovens. E aceitei convite para atuar no teatro. Estoumorrendo de medo, mas quero encarar. Um livro e um documentário sobre meu trabalho estão em andamento. No início, tive medo, mas me habituei com a câmera.

QUEM

Fátima Toledo

Alagoana radicada em São Paulo, ela dava aulas na Febem quando foi convidada por Hector Babenco para preparar o elenco de Pixote.

O QUÊ

Ceviche

Fã da gastronomia espanhola e latino-americana, Fátima pediu ceviche e suco de laranja. "O tempero deste prato é leve e saboroso."

ONDE

Calà del Grau

Ela escolheu o restaurante espanhol (Rua Joaquim Távora, 1.266). "Além de ser perto do meu estúdio, aqui é tranquilo e os pratos são ótimos."

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