Fatboy Slim de olho no Brasil

Shows no Sul do País e projetos para a Copa do Mundo, no Rio, recolocam o mais famoso dos DJs na cena nacional

CLAUDIA ASSEF , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h06

Se para você o estereótipo do DJ é a imagem do sujeito que tem o emprego mais divertido do mundo, então uma foto do inglês Norman Cook, mais conhecido como Fatboy Slim no mundo da música eletrônica, é perfeita para ilustrar esse clichê.

Fã assumido do Brasil, o DJ está prestes a retornar ao País para uma nova turnê, que começa dia 28 no Recife, passa por João Pessoa (29), Maceió (30), Arraial D'Ajuda (31) e Balneário Camboriú (3/1), onde apresenta sua Big Beach Bootique, espécie de franquia da festa praieira que nasceu em Brigthon, sua cidade natal, na Inglaterra, em 2001, reunindo 200 mil pessoas já na primeira edição. A turnê brasileira ainda passa por Guaratuba (no Paraná, dia 4/1) e Goiânia (5/1).

Ex-baixista de banda de rock (alguém se lembra do hit oitentista Build, do Housemartins, que por aqui virou o melô do 'pa-pa-pa-papel'?), Cook se tornou Fatboy Slim no meio da década de 90, quando lançou seu primeiro single, Everybody Needs a 303, título que faz referência ao sequenciador Roland TB-303, ferramenta fundamental para a solidificação da música eletrônica.

Cook começou sua relação de amor com o Brasil em 2004, quando tocou para 150 mil pessoas na praia do Flamengo em evento bancado por uma empresa. Em 2007, de novo no Rio, só que na praia de Copacabana, ele reuniu um público estimado em 400 mil pessoas. "A diferença entre os dois shows na praia do Rio e este Big Beach Bootique é que agora temos uma megaprodução, com telas de LED, efeitos de iluminação e fogos para criar um espetáculo bem mais visual", diz o DJ, em entrevista por e-mail.

Apesar das inúmeras vezes em que tocou no País, esta é a primeira que vem com uma apresentação da marca Big Beach Bootique (antes se escrevia Boutique). Por aqui, porém, ele já fez de tudo um pouco. De DJ do Big Brother Brasil até Carnaval de Salvador, é provável que Fatboy Slim conheça este País muito melhor do que eu e você juntos.

"Será que inspirei os BBBs a começarem uma nova carreira? Não temos (ainda) essa cultura de DJs celebridades na Inglaterra. Acho que esses famosos, em geral, são mais bonitos que os DJs de verdade, só que não têm experiência. Mas confesso que não sou fã da Paris Hilton", divaga, sobre a febre dos DJs celebridades.

Uma das experiências mais fortes da vida do DJ foi quando tocou pela primeira vez no Carnaval de Salvador, em 2006. "Foi incrível. Nunca tinha visto uma festa daquele tamanho nem tocado num trio em movimento. A energia daquela multidão é insana. Só muito depois entendi a importância de ter sido o primeiro DJ de música eletrônica a tocar num trio daqueles. Tenho muito orgulho que tenha funcionado. Agora você vê will.i.am e David Guetta tocando lá também", diz, citando alguns de seus 'concorrentes' mais fortes. O que talvez ele não saiba é que foi um brasileiro, o DJ Mau Mau, o primeiro a tocar num trio elétrico baiano, no ano 2000.

Ainda na seção brasilidades de seu currículo, ele lembra que já trabalhou com Daniela Mercury e conta que tem planos para tocar no Brasil, na Copa de 2014. "Gostaria de encontrar o (baterista de jazz brasileiro) Airto Moreira e regravar com ele Celebration Suite como tema da Copa."

"Em 2013, vou visitar algumas cidades brasileiras que eu nem sei como pronunciar o nome. O melhor do País é a economia em crescimento e a confiança e orgulho que vocês sentem pela bandeira. O pior, para mim, é o trânsito e a criminalidade em São Paulo", pontua, como bom entendedor dos problemas locais. "Fora o meu péssimo domínio do português, me sinto muito em casa no Brasil. Parei de consumir álcool, então já não tomo mais caipirinhas, mas gosto de um bom cafezinho", diz.

Tanta afinidade já rendeu um CD, chamado Fala Aí, lançado apenas no País, em 2006, e um DVD, Incredibles Adventures in Brazil, que mostra imagens do DJ tocando por aqui. "Verdade que já viajei bastante, mas ainda quero conhecer melhor a região de Manaus e o interior em geral. No meu trabalho, a gente acaba ficando muito focado nas cidades", diz.

Se no passado ele já lançou trabalhos musicalmente relevantes, como o disco Halfway Between The Gutter and The Stars e Here Lies Love, gravado em parceria com David Byrne, hoje Fatboy Slim prefere focar na carreira de DJ. "Minha vida é uma festa", resume. Resta dúvida de que se trata de um dos melhores empregos do mundo?

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