Fashion Rio tem início com desfile de Walter Rodrigues

Em cerca de 10 minutos, o estilista Walter Rodrigues (que veste Dona Marisa Letícia, primeira dama do País) apresentou neste domingo, no primeiro dia do Fashion Rio, 29 modelos em que predominavam saias godês (plissadas ou franzidas), sempre em cores escuras ou neutras, sobre anáguas coloridas, rosa-choque, amarelo ou laranja. Não é uma moda para se usar no dia-a-dia, mas sim para uma mulher chique, que chama a atenção e pode variar muito o guarda-roupa. Os vestidos e a maioria dos casacos e calças são marcantes e não são para serem repetidos todos os dias. Os destaques nesse desfile foram os cabelos das modelos, verdadeiras esculturas. Ele esteve na China e na Guatemala. Sua roupas traduzem essas influências. Ele abriu com vestidinhos curtos, feitos de uma seda estampada de miúdos florais cinzas, e a coleção foi ganhando peso e dramaticidade. Vieram pelerines com mangas-fenda, colares de bicicletas (numa referência ao meio de transporte preferido dos chineses), golas, colares com aplicações de metal (lembranças dos incas), muitos plissados. Mil pulseiras, mil aplicações. As saias são todas com volume, conseguido por tules coloridos, pink, turquesa, amarelo. A alfaiataria ganha destaque e muda de cara com os bordados coloridos aplicados sobre bases pretas. Walter Rodrigues fez o primeiro desfile para adultos para a décima edição do evento, usando como cenário o prédio histórico do Real Gabinete Portuguez (assim,com z) de Leitura, uma biblioteca gigantesca, no centro da cidade. Antes um pouco, na Marina da Glória, onde se concentram as atividades do Fashion Rio e do Fashion Business, a grife infantil Lilica Ripilica abriu a temporada da moda inverno 2007 que, ao lado da roupa clássica e chique de Walter Rodrigues, foram as primeiras novidades do evento. Na Glória, operários ainda davam os últimos retoques nos stands dos 150 expositores e nos três salões onde ocorrerão 30 desfiles até a sexta-feira que vem, quando a top model Giselle Bündchen fecha o evento com a grife paranaense Colcci. Enquanto Giselle não chega, as meninas de rosto lindo e corpo magérrimo se aprontam para fazer sucesso nas passarelas. Da Ucrânia veio a Yevgenya Kedrova (pronuncia-se Euguênia), que até hoje tinha fechado 12 desfiles, começando com a grife Maria Bonita Extra, que ela foi conhecer, quando mal chegou à cidade. "Não tenho informações do Brasil, mas sei que russos e brasileiros têm em comum serem muito afetivos e expansivos", disse Yevgenya, que tem casa em Paris, mas vive pelo mundo em desfiles. "Isso é muito bom. Hoje estou aqui, amanhã em Tóquio, depois em Milão e em cada lugar conheço pessoas novas e um pouco da cultura." Yevgenya terá pouco tempo para ver a cidade. Neste domingo, fez as provas de roupa da Maria Bonita Extra e a estilista Andrea Saletto gostou tanto que deu-lhe um vestido estampado para abrir seu desfile, que acontece na quarta-feira, às 18h30, no salão Corcovado. O cachê de Yevgenya é segredo de estado para a agência Viva, que a trouxe, mas os dois bookers (profissional que orienta as modelos) dão uma idéia de quanto se ganha nesta profissão. "Uma new face (iniciante) tem cachê de R$ 480 por desfile, mas esse número se multiplica muitas vezes quando se trata de uma modelo conhecida e mais ainda para uma top internacional como Yevgenya", diz Cássio Silva, um deles. Cássio está no Rio com outros quatro modelos da agência, a mineira Bárbara Fialho, que já vive em Paris e tem carreira internacional, e os new faces Paula Medeiros, Camille e Marcelo Frölich. Cássio e o outro booker da agência, Léo Dias, sabem que só vão parar na sexta-feira, quando acaba o Fashion Rio. "A gente acompanha as provas de roupa, orienta para não esquecerem de se alimentar bem e também indica qual a grife que combina melhor com o estilo deles", explica. "É um trabalho compensador porque eu me sinto meio fada madrinha, ajudo a carreira deles acontecer e sou totalmente coruja, sempre me emocionou quando vejo meus modelos lindos, fazendo sucesso na passarela." Bárbara concorda com eles. Aos 19 anos, ela desfila há quatro e conta que, no início, sua beleza incomum (um rosto expressivo, à la Rita Hayword, com imensos olhos azuis) dificultou seu acesso à carreira. "No fim foi bom porque hoje sei que quem me contrata quer a mim e não qualquer modelo", diz. No domingo, ela tinha 12 desfiles agendados, número que pode crescer ao longo da semana. Por isso, Bárbara não conta quem são seus estilistas preferidos, mas elogia Walter Rodrigues, para quem desfila nesta noite. "Ele não gosta de ter modelos com o mesmo tipo físico. Isso fica muito mais interessante." Marcelo Fröhlich observava tudo quieto e tímido. Seu rosto sério, meio andrógino, meio europeu, e seus cabelos ruivos naturais encantaram Cássio Silva, que pensa em lançá-lo internacionalmente. O Fashion Rio, onde ele estará em todos os desfiles de moda masculina, será seu teste. Marcelo é de Campo Bom, cidade da região metropolitana de Porto Alegre e, aos 21 anos, estava entre trabalhar na fábrica de sapatos da família ou em informática, pois formou-se no ano passado. "Nunca tinha pensado em ser modelo", confessa ele. "Estou gostando de tudo, mas sei que o trabalho é duro." Até sexta-feira a previsão é de que passem 70 mil pessoas pela Marina da Glória, para assistir aos desfiles ou vender e comprar no Fashion Business, evento paralelo que começa segunda, às 10 horas. Mas nesta noite já há desfiles importantes, que começaram às 17h30. Começa com Márcia Ganem (salão Copacabana) e segue com Mara Mac (salão Corcovado), Melk Z-Da (salão Ipanema), Victor Dzenk (Copacabana) e Animale (Corcovado). Colaborou Deborah Bresser

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