Fashion Rio muda de dono, de lugar e de formato

Sob o comando de Paulo Borges, o midas da SPFW, o evento muda da Marina da Glória para o cais do porto

Roberta Pennafort,

05 de junho de 2009 | 20h51

Menos atrasos, iluminação mais caprichada, camarins sem apertos, maior controle na entrada dos desfiles, nada de gente assistindo sentada no chão. É o que promete Paulo Borges, o criador da São Paulo Fashion Week, em sua primeira edição como coordenador também do Fashion Rio. O cenário foi trocado - saiu da Marina da Glória para o cais do porto - e o número de grifes foi enxugado - só ficaram as 29 mais bem estruturadas, além de 12 novos talentos, que fazem a abertura na noite deste sábado, 6.

A recomendação para que as grifes tenham nas passarelas pelo menos 10% de modelos de origem negra ou indígena, que já valerá para a próxima edição da SPFW, também já foi repassada às que desfilam no Fashion Rio.

 

"Sou obsessivo com qualidade. O SPFW é reconhecido no mundo inteiro pela excelente infraestrutura. Quero que o Fashion Rio tenha a mesma qualidade", disse Borges ontem, dia em que se desdobrou para dar conta das conversas com estilistas e jornalistas e do chamego com o filho adotivo, Henrique, de quase 4 anos, que veio visitar o novo trabalho do pai.

 

Borges substitui Eloysa Simão, a idealizadora da semana de moda carioca, que está em sua 15ª edição. Ele havia estado nela uma única ocasião, seis anos atrás, e só teve pouco mais de um mês para terminar de organizá-la e banir o que o incomodava - da lista de grifes inchada aos banheiros químicos usados pelo público e às tendas montadas para abrigar os desfiles. No cais, tudo se dará nas enormes estruturas dos armazéns, reformados. O número de assentos será menor. "Tudo está voltado para valorizar e qualificar o desfile. A iluminação é de última geração, igual à da SPFW."

 

Como este será um Fashion Rio de primavera-verão, as grifes mais esperadas são as de moda praia, como a Salinas, no sábado, e a Lenny, na terça-feira.

 

Os estilistas sabem que nada muda radicalmente em tão pouco tempo. Desde que a troca de comando foi anunciada, se deparam com informações equivocadas, que Borges faz questão de desmentir: que sua intenção é criar um "Brazil Fashion Week", que o Fashion Rio só terá moda praia e o outono-inverno ficará só com a SPFW.

 

Eles esperam que, com sua experiência (está há 30 anos no setor, metade à frente da SPFW), o novo diretor faça o Fashion Rio crescer. "O trabalho que ele fez na SPFW dispensa comentários", diz Tito Bessa, da TNG. "Não tenho dúvida de que o Fashion Rio estará melhor para quem ficou. Eu tenho uma equipe de 20 pessoas. Tinha estilista que chegava praticamente sozinho." Para Renata Mancini, da Cantão, Borges traz um "novo olhar". Como Tito, ela gostou da mudança para o Pier Mauá. De lá, tem-se vista bonita da Baía de Guanabara, mas nada que se compare ao deslumbre avistado da Marina.

 

Jaqueline di Biasi, da Salinas, presente nos eventos de moda de Eloysa Simão desde 1994, se impressionou com a objetividade de Borges. "Não posso reclamar nem de um, nem de outro." Beto Neves, da Complexo B, que ficou de fora desta edição - segundo ele, por falta de patrocínio -, espera que o novo diretor atraia empresas. O estilista da Santa Ephigênia, Luciano Canale, não tem tantas expectativas. "A gente precisa de muitos verões e muitas andorinhas..."

 

O Fashion Rio vai até quarta-feira. Paralelamente, a partir de domingo, será realizado o Fashion Business, onde se fecham negócios entre as grifes e compradores nacionais e estrangeiros. Vão participar 200 expositores de 12 Estados. Na última edição, as vendas renderam cerca de US$ 16 milhões.

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