Fashion Rio mostra moda entre choque de eventos e egos

Participantes criticam rivalidade entre Paulo Borges (Fashion Rio) e Fashion Business (Eloysa Simão)

Roberta Pennafort, de O Estado de S. Paulo,

11 de janeiro de 2010 | 20h07

Entre os que vêm ao Fashion Rio a negócios, a realização de dois eventos em que são expostos produtos de lojas e fabricantes - o oficial, Rio-à-Porter, no cais do porto, e o paralelo, Fashion Business, na Marina da Glória - gera controvérsia. Para quem vem de outros estados, é oportuno o fato de o primeiro, da Federação das Indústrias do Estado, e o segundo, vinculado à Federação do Comércio do Estado e comandado por Eloysa Simão, ex-organizadora do Fashion Rio (ela foi substituída por Paulo Borges, da São Paulo Fashion Week, há sete meses), serem simultâneos.

 

Mas o deslocamento entre os dois pontos da cidade, ainda que não leve mais do que quinze minutos (de carro), provoca reclamações. "A distância dificulta, temos que nos deslocar, pagar dois estacionamentos. Nós não temos nada a ver com essa disputa", criticou o lojista de Niterói Carlos Lima, que veio atrás de novidades para vender nos meses de outono-inverno.

 

Nos dois eventos, estão reunidos tanto grifes que desfilam nas passarelas cariocas, quanto marcas que não participam, além de representantes têxteis do Estado do Rio e de fora. As novidades são conhecidas em estandes e em desfiles organizados especialmente para os compradores. Com 170 expositores em 14 mil metros quadrados, o Fashion Business está em sua 15ª edição. Em relação a janeiro de 2009, a expectativa é de crescimento de 5% nas vendas para o mercado interno (o que renderia R$ 395 milhões) e 7% para o externo (US$ 16,9 milhões).

 

O Rio-à-Porter está estreando nesta estação, e fica no mesmo espaço do Fashion Rio. São cerca de 150 empresas ocupando uma área de 8.250 metros quadrados. "É bom que aconteçam ao mesmo tempo, dá tempo de ir nos dois. Lá (na Marina) é mais bonito, mas aqui está mais organizado", avaliou a veterana de Fashion Business Claudia Cunha, gerente da loja Zoe, de Maceió, que fechou negócio com pelo menos duas grifes no Rio-à-Porter.

 

Na passarela, a Acquastudio vestiu suas modelos com caprichados vestidos de festa. Foto: Wilton Jr.

 

O calor foi uma reclamação. "O ar condicionado não dá vazão. Estamos recebendo aqui e remarcando uma visita ao nosso showroom depois. Não se fecha negócio em menos de quatro horas, e aqui não dá pra ficar nem meia hora", disse a representante comercial Beatriz Pinheiro, da grife de São Paulo Lucy in the Sky, que trocou o Fashion Business pelo Rio-à-Porter este ano.

 

Nem Eloysa Simão nem Paulo Borges gostam de comentar a "rivalidade" dos eventos. O tempo dirá se existe demanda suficiente para a realização dos dois.

 

Desfiles

 

Os desfiles desta segunda, 11, foram abertos pela Acquastudio, que vestiu suas modelos com caprichados vestidos de festa. A estilista Esther Bauman teve como inspiração em René Lalique, mestre joalheiro francês que ficou conhecido por seu trabalho com vidro. Pensando em seus vasos, copos e frascos de perfume, Esther chegou a vestidos de seda gaze com muito volume abaixo da cintura, e também aplicações de flores. Na cabeça, toucas de natação pretas, bordadas.

 

A grife Claudia Simões teve com referências os pintores expressionistas Jackson Pollock e Mark Rothko e usou muito cinza, coral, preto e o chamado "off white". Blusas, saias, casacos e calças remetiam àquelas telas de Pollock em que há explosão de cores. A estilista conta com o auxílio de Luciano Canale, da marca Sta Ephigênia, este ano fora do Fashion Rio, mas presente no Fashion Business - Canale assina a direção de criação.

 

O penúltimo dia de desfiles contou ainda com as coleções de Maria Bonita Extra, Juliana Jabour e TNG - que convocou os atores Tais Araújo e Thiago Lacerda, da novela Viver a Vida, para badalar sua passarela. O Fashion Rio termina nesta terça, 12, com as coleções da Redley, R.Groove, Têca e Espaço Fashion.

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