Fãs vêm até de outros Estados para conferir shows da Virada

Apesar da pouca idade, João Barbosa, de 18 anos, é tão fascinado pelos Mutantes que arrastou o pai de BH

Alline Dauroiz, de O Estado de S. Paulo,

26 de abril de 2008 | 23h58

Há quem não se importe - e até goste - de enfrentar horas de viagem e gastar com transporte e hospedagem para conferir a programação da Virada Cultural. Apesar da pouca idade, o mineiro João Barbosa, de 18 anos, é tão fascinado pela banda Mutantes, que arrastou o pai, Wellington, de 56, para a Virada paulistana. Juntos, os dois gastaram cerca de R$ 800 em passagens de avião de Belo Horizonte a São Paulo e hotel no centro da cidade. "Não quero nem saber. Coloquei tudo no cartão de crédito", diz o pai.   Veja também:   Gal declara amor por São Paulo e contagia público Imagens da Virada Cultural 2008 Luiz Melodia faz releitura de 'Pérola Negra' na Virada Cultural Confira todas as atrações e faça sua programação Quer se programar? Veja dicas dos principais eventos Na periferia, Mautner é herói, e no centro Vanguart vibra Após queima de fogos, Cesaria Evora dá início à Virada Cultural   Para garantir lugar na primeira fila, eles chegaram ao Palco São João por volta das 17 horas e, de lá, só sairiam às 6 horas para assistir a Pepeu Gomes no Teatro Municipal. "Pena que não dá para ver tudo", diz João que, de brinde, ganhou um abraço do guitarrista dos Mutantes, Sérgio Dias, durante o ensaio da banda.   Do Paraná, a estudante Andressa Chimelli, de 21 anos, veio em um bate-e-volta exclusivamente para ver Gal Costa. Pegou um ônibus em Curitiba e chegou a São Paulo no sábado de manhã. " Volto para casa amanhã (domingo) de manhã. Mas valeu a pena. É difícil a Gal ir à Curitiba. Então não dá para perder uma oportunidade dessas."   O economista Aquiles Munarim, de 24 anos, veio de avião de Florianópolis, acompanhado da namorada e mais cinco integrantes de sua banda de rock progressivo - os Eletrolíticos - para acompanhar as apresentações do Rock República. Para garantir o melhor lugar, na primeira fila do palco montado na Praça da República, chegou ao local às 16 horas. "Não vou ter outro momento para ver tantos shows bons concentrados em um só lugar. Então, gastar R$ 500 (para ele e a namorada) valeu muito a pena", diz. Hospedado na região do centro, Munarim volta na segunda-feira para Santa Catarina após a maratona de ver oito shows seguidos.   A artesã Sandra Vieira, de 30 anos, saiu de Caraguatatuba, no litoral norte, em comitiva com mais cinco amigos apenas para acompanhar as apresentações de rock na Praça da República no centro. "Viemos para fazer um bate-volta apenas para ver a apresentação da banda Casa das Máquinas com um antigo vocalista do Iron Maiden", confessou. Para garantir um bom lugar perto do palco, chegaram todos às 14 horas ao local.   Filas   As filas para ver Luiz Melodia recriar as maravilhas de seu disco de estréia, Pérola Negra (1973), começaram cedo e se prolongaram até depois que o Teatro Municipal já estava lotado. Muita gente ficou de fora e teve de acompanhar o show do telão. O cantor surgiu no palco às 18h06 e entusiasmou o público em cerca de 50 minutos de show. A disputa por um lugar no Municipal era grande, aparentemente maior do que nas edições anteriores da Virada Cultural.   No Vale do Anhangabaú, as cerca de 500 cadeiras começaram a ser ocupadas duas horas antes do aguardado primeiro espetáculo de dança da Virada, de Ana Botafogo e o Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que interpretaram o segundo ato de Giselle. A notícia da morte do coreógrafo Ismael Guiser na manhã deste sábado, 26, deixou todo o meio da dança consternado, mas às 18h47 teve início o belo trecho do espetáculo, que foi seguido de um curto, porém emocionante solo de Luis Arrieta, ambos muito aplaudidos.   No intervalo entre as duas primeiras apresentações, uma dupla de circenses do Acrobáticos Fratelli, montada em cima de uma bicicleta, sobrevoava o Viaduto do Chá, presos a cordas de aço e a um balão. Atrás do palco de dança, Martin Sabatino, também dos Fratelli, montado em uma perna-de-pau, atravessou o Vale do Anhangabaú em uma tirolesa, fazendo, em seguida, uma descida em um rapel de 130 metros. " Foi uma coisa louca, maravilhosa. Começar a virada desse jeito, entre os melhores artistas do Brasil, não tem coisa melhor", disse Sabatino. Seus próximos sobrevôos estão marcados para às 11h30 e 16h30 deste domingo.   (Com Adriana Carranca, Livia Deodato e Lauro Lisboa, de O Estado de S. Paulo)

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