Fãs celebram os 20 anos da morte de John Lennon

Milhares de fãs em todo o mundo celebram hoje os 20 anos da morte de John Lennon. A atenção em torno do assassinato do ex-Beatle é maior este ano por conta das comemorações dos 60 anos do músico, em outubro, que teve direito a relançamento de alguns de seus discos, e do sucesso do disco "1", que já teve mais de 12 milhões de unidades vendidas em todo o mundo em apenas um mês.A data este ano vem também cercada de polêmica. Yoko Ono critica o assassino Mark Chapman; Julian Lennon critica Yoko Ono; o prefeito Rudolph Giuliani critica os fãs e assim por diante. Todo mundo só concorda em uma coisa: o músico estaria muito feliz de ver que os Beatles estão de novo no topo das paradas de 26 países. Yoko, que disse manter "intocado" o apartamento em que o casal vivia, no edifício Dakota, na Central Park West, deve fazer na noite de hoje o mesmo ritual das duas últimas décadas. Ela vai ficar recolhida refletindo sobre o músico e acender uma vela na janela, para que os fãs saibam que ela está em casa.A viúva deu várias entrevistas recentemente em que comentou sobre Lennon. "Ele estaria sorrindo ao saber do sucesso dos Beatles 30 anos depois", disse. Yoko, que recentemente financiou uma série de outdoors contra o uso de armas em várias cidades americanas, disse ter ficado magoada quando Chapman deu entrevistas dizendo que Lennon gostaria de vê-lo em liberdade. O assassino, que está com 45 anos, vai poder ter sua pena revista em dois anos.As maiores vigílias de hoje devem acontecer na casa em que Lennon morou, em Liverpool, e no Strawberry Fields, um jardim do Central Park que fica na frente do Dakota, mantido por Yoko como uma espécie de memorial. Todos os anos, centenas de fãs se reúnem para cantar músicas dele e declamar poesias.Só que este ano o prefeito Giuliani não se comoveu com a demonstração e prometeu mandar guardas para tirar os fãs depois da 1 hora da manhã, o horário em que o parque "fecha" (a área não é cercada). O prefeito não se rendeu nem a um apelo feito pelo prefeito de Liverpool, Edwin Clein. "É perigoso e requer um deslocamento muito grande de pessoal", disse, encerrando o assunto.Quem também não está de bom humor é Julian Lennon, que resolveu aproveitar a ocasião para detonar a madrasta, em seu site oficial (http://www.julianlennon.com). O filho de John Lennon e sua primeira mulher, Cynthia, disse que fica imaginando como seria se o pai estivesse vivo hoje. "Queria saber se ele seria John Lennon, o pai, ou John Lennon, a alma manipulada", alfinetou. Ele criticou a viúva por "desmerecer o legado" de Lennon ao apoiar o lançamento de tantos produtos "baratos" no mercado ao longo dos anos.Cidadão do Mundo ? Em Liverpool, o prefeito Edwin Clein participou da inauguração de uma placa na casa em que Lennon morou quando menino. O ex-Beatle é o primeiro músico pop a receber tal honraria. No centro comercial da cidade em que os Beatles foram gestados, próximo ao Cavern Club, bar em que a banda debutou, foi inaugurada uma estátua de bronze. Em forma de revólver, com o tambor extraído, a estátua tem como objetivo relembrar tanto a morte quanto o pacifismo do cantor e compositor.A casa de campo na Costa do Sol espanhola, que Lennon manteve nos anos 60, será restaurada. Foi lá que no verão de 1966, no período em que participava das rodagens do filme Como Eu Ganhei a Guerra, Richard Lester, ele compôs o sucesso Strawberry Fields Forever. A restauração será feita pela prefeitura da cidade de Almería, sul da Espanha, onde fica a casa de veraneio. Em Praga os membros do fã-clube dos Beatles estão reunidos no ?Muro de Lennon?, local em que há vinte anos acenderam uma vela para marcar a data do assassinato. Na cidade servia de Novi Sad uma rua receberá o nome de Lennon e em Belgrado e outros municípios do país foram programados concertos e exibições de filmes. No Japão cerca de 1400 fãs lembraram o assassinato de Lennon em frente ao primeiro museu dedicado ao músico, localizado em Saitama, a 40km de Tókio. Os atos em memória de Lennon duraram três dias. Cinco concertos de artistas locais tocando apenas músicas dos Beatles foram os destaques da programação. Nesta noite os presentes cantaram juntos Imagine. A entrada do museu, inaugurado por Yoko Ono em outubro e visitado nestes últimos dois meses por 53 mil pessoas, está adornada por um grande retrato de Lennon.

Agencia Estado,

08 de dezembro de 2000 | 18h33

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