Farsa familiar já consagrada

Denis e Bruno Podalydès são irmãos e cineastas. Formaram o que se pode chamar de minitrupe na França, e não apenas no cinema. Fazem também teatro. Trabalham em grupo, com os mesmos atores. Em geral, seu cinema é considerado restrito - filmes que ocupam um nicho do mercado. Ocasionalmente, fazem obras mais populares, que atingem um público mais vasto. É o caso de Adeus, Berthe: O Enterro da Vovó, que Bruno dirige, Denis interpreta e os dois escreveram.

O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2013 | 02h13

No ano passado, Isabelle Candelier esteve no Brasil. Veio para a exibição de Adeus, Berthe no Festival Varilux do Cinema Francês. Em conversa com o repórter, destacou o que não deixa de ter sido uma boa surpresa - a crítica e o público responderam de forma mais calorosa. "E olhe que poderia ser um filme difícil. Trata de adultério e de morte. Não são temas fáceis nem palatáveis para todo o mundo. Era necessário um equilíbrio, e Bruno o alcançou", disse.

Adeus, Berthe conta a história de um homem num momento particular de sua vida. Denis Podalydès está se separando de Isabelle Candelier para ficar com a amante, Valérie Lemercier. A vida toda ele viveu a três, contando com a compreensão da mulher. É farmacêutico e está empenhado em produzir uma fórmula, um presente para a enteada. E, neste momento em que ocorre a ruptura, morre Berthe, a avó. Como conciliar todas as coisas - o enterro, a separação, a fórmula? E, acima de tudo, quem é essa Berthe? Que papel teve em sua vida? Que lembrança Denis guarda dela?

Embora a originalidade não seja o forte de Adeus, Berthe, o tom de farsa familiar adotado por Bruno funciona e o elenco corresponde. O filme recorre à chave do humor - é vendido como comédia -, mas possui diálogos e momentos graves. Afinal, a morte faz parte do processo. Uma ideia interessante é a da butique dos mortos, na qual o enterro é preparado. E ninguém é mais divertido que o guru - é uma espécie de guru - interpretado por um regular dos Podalydès, Michel Vuillermoz.

O que faz a diferença é o fato de Denis, o farmacêutico, secretamente desejar ser mágico. Em busca da avó, ele visita o asilo em que Berthe vivia e descobre que ela teve um romance com um mágico de verdade e que ele pode ter sido seu avô. Isso, de certa forma, orienta Adeus, Berthe para um desfecho triste. No Rio, Isabelle Candelier disse que o interesse maior de Berthe, para ela, foi que o filme veio depois de duas adaptações literárias feitas pelos irmãos e, desta vez, o roteiro era original. "Há pouco havia feito uma peça dirigida por Denis. Às vezes eu o enxergava, e pensava que estava em um filme de Bruno. O universo dos dois é muito próximo. Eles falam da infância e é uma coisa que me interessa. Sinto-me confortável como integrante deste grupo. Formamos uma família, e não apenas artística. É como se houvessem laços de sangue, também."

Sobre sua personagem, ela disse - "Não é um clichê. O cinema contou tantas histórias de separação. Apesar do inevitável, ainda existe afeto entre o casal. A amante também não é a mulher fatal clássica. É uma mulher que sofreu. Honestamente, há muita humanidade nessa história. E, por mais comprometida que seja minha visão, ouso dizer que é o melhor filme de Bruno." / L.C.M.

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