Fantasmas de Shakespeare

Beth Goulart mergulha nos silêncios e emoções da escritora e encontra a sua essência

Helena Katz, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2010 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

João Andreazzi volta hoje ao palco no qual estreou a sua primeira coreografia, Para Atingir Um Efeito Essencial ou a Viagem de Uma Veste, um duo inspirado em Goethe que fazia com Guto Macedo, com muitas roupas e muitos cabides. Era 1989 e no palco do Sesc Consolação acontecia um importante e hoje extinto festival, promovido pelo Sesc, chamado Movimentos de Dança. Essa obra marcava a sua volta ao Brasil depois de uma temporada em Amsterdã, na Holanda, onde se formara na SNDD - a escola referência que consagrou, nos anos 80, um jeito de fazer dança que ficou conhecido como "nova dança".

Onze anos depois, com a companhia que criou e dirige, a Corpos Nômades, João Andreazzi apresenta lá Espectros de Shakespeare - Do Outro Lado do Vento. A nova montagem apoia-se em alguns sonetos e em quatro peças de Shakespeare: Macbeth, Otelo, Rei Lear e Hamlet. O foco são os seus personagens espectrais, pois o objetivo é "entrar em contato com as regiões mais obscuras do ser humano", explica o texto do programa. Personagens como Ofélia, Lady Macbeth, as três bruxas, Macbeth, e o próprio espectro de Hamlet são dissecados "na busca de uma substância trágica capaz de unir as cenas, transformando-as em referências da existência humana".

Andreazzi e sua companhia se dedicam a consolidar a coreodramaturgrafia, conceito que propõem para o modo de juntar dança, teatro e videoarte que vêm elaborando em suas produções. Trata-se de um trabalho que se organiza sobretudo a partir da improvisação por contato, e se apoia em uma forte formação técnica que privilegia os trabalhos de chão. Nessa coreodramaturgrafia, objetos, textos, sons e imagens ganham a mesma importância dos gestos.

O elenco é formado por Alexandre Manchini Jr., Bruna Dias, Fabíola Camargo, Isabella Franceschi, João Andreazzi, Ricardo Silva e Tais Magnani e assina também o cenário e a videoarte. O poeta Claudio Willer, que veio se transformando em uma espécie de consultor permanente da companhia, também assessora o projeto, que tem desenho de luz de Alexandre Manchini Jr., figurino de David Schumaker e trilha sonora de Vanderlei Luccentini. Serão quatro noites no Sesc Consolação, sempre às 21h: hoje e amanhã, e na próxima semana, nos dias 19 e 20. O espetáculo dura uma hora e, a partir do dia 28, entra em temporada até 27 de junho no Lugar, sede da Corpos Nômades.

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