Família Klabin recupera quadros e jóias

O roubo de 15 quadros e de jóias da família Klabin Lafer levou à prisão Edmir Cordeiro de Oliveira, de 27 anos, acusado de ser um dos autores do crime. Era o grande golpe da vida de Oliveira, o Tutinha. Conhecido pela polícia por causa de pequenos roubos de que era suspeito em Itaquera, o acusado sonhava em vender as obras de Tarsila do Amaral, Portinari e Di Cavalcanti para um colecionador americano e aposentar-se da "vida do crime". Acabou na cadeia. Em sua casa foram achados os quadros, avaliados em R$ 10 milhões, assim como jóias e relógios - estes e algumas das jóias podem pertencer a possíveis outras vítimas do acusado. O maior roubo de obras de arte deste ano em São Paulo ocorreu no fim de semana. Segundo o delegado Nelson Silveira Guimarães, titular da 7.ª Delegacia Seccional (Itaquera), quatro homens chegaram à casa do empresário Jacob Klabin Lafer, no Jardim Europa, zona sul de SP, pouco antes da meia-noite de sábado. Chamaram o porteiro e o obrigaram a levá-los aos dois seguranças, que também foram dominados. Obrigaram Mildred Lafer, que estava na casa, a lhes mostrar o cofre, que foi aberto. Lá estavam as jóias da família e os relógios, todos colocados em uma sacola. Em seguida, os assaltantes passaram a recolher os quadros. Eram dois de Di Cavalcanti, dois de Portinari, um de Tarsila do Amaral, um de Volpi, um de Pancetti, um de Guignard, dois de Manabu Mabe, três de Teruz e dois outros cujos autores não foram identificados pela polícia. Colocaram tudo dentro de um Audi A-4 da família e fugiram no veículo. "No começo da semana, começou a correr um boato no bairro que o Tutinha havia feito um grande roubo, que ele estava dizendo para todo mundo que ia se aposentar", afirmou o delegado. A informação despertou a atenção dos investigadores da 7.ª Delegacia Seccional. Na tarde de ontem(18), após confirmar que o suspeito estava com pelo menos um quadro em casa, os policiais pediram à Justiça um mandado de busca e apreensão para revistar a residência de Tutinha. Por volta das 6h30 de hoje, uma equipe de investigadores entrou na casa do acusado. Primeiro encontraram os quadros num dos cômodos e, depois, as jóias. Imediatamente, a polícia o deteve e pediu a decretação de sua prisão temporária à Justiça, o que foi concedido. Tutinha, segundo o delegado, já havia sido preso sob a acusação de praticar pequenos roubos na porta de agências bancárias, mas nunca havia se envolvido em um grande assalto. "Soubemos que a quadrilha levou os quadros porque havia recebido a promessa de vendê-los para um colecionador americano que prometera pagar R$ 3 milhões pelas obras", afirmou o delegado. Além dos objetos roubados, a polícia encontrou na casa do preso uma espingarda de dois canos calibre 20 e alguns cartuchos. Tutinha ainda ia ser interrogado pela polícia sobre o assalto. Outros três acusados de participar do roubo milionário já estão identificados pela 7.ª Delegacia Seccional, mas continuavam foragidos - seus nomes não foram revelados pela polícia. Mildred Lafer foi à 7.ª Delegacia Seccional na tarde de hoje e recebeu de volta os quadros e jóias - só uma peça de prata não foi recuperada.

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