Família de Garcia Lorca não quer que corpo do poeta seja exumado

O túmulo do mais célebre poeta edramaturgo da Espanha, Federico Garcia Lorca, está no centro deuma disputa sobre se os corpos de milhares de vítimas doditador Francisco Franco enterrados em valas comuns devem ounão ser sepultados com dignidade. A família de Lorca acredita que as tropas de Francoexecutaram o escritor, ao lado de três outros homens, nasprimeiras semanas da Guerra Civil, em 1936, e os enterraramnuma vala comum perto de Granada, no sul do país, juntamentecom entre mil e 3.000 outras vítimas. As famílias de dois dos homens enterrados com o autor de"Bodas de Sangue" e "Romanceiro Gitano" querem exumar os restosmortais de seus parentes, mas a família de Lorca é contra. "Achamos que a abertura de uma sepultura não fecha umaferida", disse uma sobrinha do poeta, Laura Garcia Lorca. Mas as duas famílias que defendem a exumação têm o apoio daAssociação para a Recuperação da Memória Histórica, que procurajustiça para as vítimas da Guerra Civil. "A exumação dos restos de Federico Garcia Lorca, DioscoroGalindo, Francisco Galadi e Juan Arcollas é uma questão dedireitos humanos", disse a associação em comunicado à imprensa. Parentes das vítimas pediram ao juiz espanhol BaltasarGarzón -- que chegou perto de extraditar o ex-ditador chilenoAugusto Pinochet em 1998 -- que ordene a abertura da sepultura,na ravina Viznar, na província de Granada. VALA COMUM A família de Lorca acha que a vala comum é evidência dotratamento brutal dado por Franco a suas vítimas. A remoção dequatro das vítimas mais famosas seria um erro, pois detrairiada tragédia histórica. "Não acreditamos que sejam descobertas informações novassobre Garcia Lorca", disse Laura Garcia Lorca. A família recordou uma tentativa feita na década de 1950por partidários de Franco para dar um enterro cristão aosrestos mortais de Garcia Lorca no Vale dos Tombados, omonumento gigantesco de Franco erigido perto de Madri com otrabalho forçado de presos políticos. "Foi uma tentativa dos franquistas de fazer parecer que nãotinha sido um crime político", explicou a sobrinha. Ela acha que os corpos devem ficar onde estão e que umaplaca deve ser erigida no local, citando os nomes das vítimasidentificadas enterradas ali, em ordem alfabética. Estima-se que centenas de milhares de pessoas foramexecutadas pelas forças do general Franco. No início do mês o juiz Garzón pediu ao governo espanhol,às prefeituras e à Igreja católica uma lista completa daspessoas mortas e enterradas em valas comuns durante a guerra de1936-39 e a subsequente ditadura de Franco. "Não queremos criar uma sepultura nova, distante destecemitério, e ter Lorca diferenciado de todas as outras vítimasda repressão franquista", disse Laura Garcia Lorca.

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