"Fama" já vendeu 250 mil CDs

A audiência não é o único indicativo da boa aceitação do programa Fama. Os discos que a gravadora BMG está lançando com os números musicais apresentados no reality show estão vendendo bem e, segundo o produtor musical Sérgio Carvalho, os cinco primeiros volumes atingiram, juntos, 250 mil cópias em sete semanas. Outros três discos chegaram às lojas, mas o balanço de vendas ainda não foi fechado.No programa, no ar desde 27 de abril, 12 intérpretes amadores ficam isolados em um estúdio monitorados por 17 câmeras e 40 microfones, recebendo aulas de canto, interpretação, dança e outras atividades que ajudam na formação de um artista. De segunda a sexta, o programa mostra o dia-a-dia dos participantes e no sábado, depois de apresentação de um musical ao vivo, um dos concorrentes é eliminado. O vencedor, que será anunciado em três semanas, terá como prêmio a gravação de um CD.Além das boas vendas, impressiona também a agilidade do processo industrial - que garante que o disco com as músicas interpretadas no programa no sábado chegue às lojas na sexta-feira seguinte. Para alcançar esse feito, a Rede Globo e a BMG desenvolveram um esquema apelidado internamente de "Operação de Guerra".É de tirar o fôlego. No domingo, os profissionais da emissora definem o repertório que os candidatos apresentarão no sábado. Durante a semana, Roger Henri, Paulo Henrique e Sérgio Saraceni dividem-se na tarefa de preparar os arranjos das músicas que serão interpretadas. Sábado, os técnicos de som captam a gravação ao vivo das vozes das apresentações dos cantores na exibição de Fama.Encerrado o programa, é a vez de Sérgio Carvalho se confinar em um estúdio de gravação, madrugada adentro, para mixar as vozes com os arranjos pré-gravados. Na tarde do dia seguinte, o master do disco é enviado para a fábrica e, durante a semana, o CD ganha capa e encarte - chegando às prateleiras das lojas na sexta-feira, pelo preço de R$ 9,90.Carvalho entusiasma-se com a eficácia da "Operação de Guerra" e aposta em uma ascensão na curva de vendas dos discos. "É algo inédito: lançamos oito discos em sete semanas. Está acontecendo no Brasil o mesmo que ocorreu na Espanha. Lá, os discos do programa Operação Triunfo venderam, juntos, 4 milhões de cópias." Fama é uma adaptação brasileira de Operação Triunfo, criado pela produtora holandesa Endemol, a mesma de Big Brother."Nesse ritmo, acredito que chegaremos a um patamar de vendas próximo ao dos discos espanhóis. Com o sexto volume de Fama esperamos vender 100 mil cópias", arrisca o produtor.Palpites à parte, a coleção Fama inaugura um esquema jamais visto no mercado fonográfico brasileiro, despejando discos para as lojas com a velocidade de uma linha de montagem industrial.Como os arranjos originais são todos elaborados em menos de uma semana, a conseqüência imediata desse processo é uma certa uniformização nas músicas, quase todas revestidas de uma sonoridade pop. No repertório, canções conhecidas do grande público de autores consagrados - de Roberto Carlos a Cazuza, passando por Tom Jobim, Nelson Cavaquinho, Jorge Benjor e até Ricky Martin - contribuem certamente para o êxito comercial da coleção.Produtor musical prestigiado - tendo trabalhado com Chico Buarque durante 12 anos -, Carvalho diz estar certo de que os 12 concorrentes de Fama têm uma carreira promissora pela frente. "Temos no programa uma vitrine com gente muito talentosa que eu não via desde os tempos dos festivais."O produtor refere-se a eventos como o Festival da TV Record e o Festival Internacional da Canção que, nas décadas de 60 e 70, revelaram nomes definitivos para a MPB, como Nara Leão, Elis Regina, Edu Lobo, Paulinho da Viola e Gilberto Gil, para citar só alguns. Na opinião de Carvalho, portanto, daqui a 30 anos, nomes como Vanessa Jackson, Fael Mondego ou Lívia Leite - três dos doze participantes de Fama - serão lembrados com a mesma credibilidade que os talentos revelados na era dos festivais são atualmente. Será?"Talvez eu esteja sendo prematuro, pois não posso prever o que vai acontecer com esses 12 garotos", ameniza. "Mas eu tenho muito claro o caminho de cada um: quem vai trilhar para o sertanejo, quem vai enveredar para o pop rock. Alguns deles são grandes músicos, outros são bons compositores. Não tenho bola de cristal mas, acredito que eles estão se consagrando."

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